TERCERIZAÇÃO E PRECARIZAÇÃO

Terceirizados passam por condições cada vez mais precárias na UERJ e reitoria é conivente

terça-feira 1º de setembro| Edição do dia

Essa semana notícias vinculadas a diversas mídias, como pelo G1, mostram que o ex- secretário da saúde do governo Witzel, Edmar Santos, foi parte de um esquema de corrupção. Segundo o próprio Edmar o esquema teve início quando ele era diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, o hospital universitário da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Por meio de um processo com a empresa terceirizada Verde, que presta serviços a UERJ e principalmente para o HUPE, Edmar recebeu propina de contratos vinculados a área da saúde. As empresas, Verde e Magna são responsáveis pela limpeza e segurança do hospital. O valor estimado entre 2016 e 2020, soma a quantia total de R$ 7 milhões.

Diante desse escândalo que se vincula diretamente a UERJ, do cenário de 226 800 casos de contaminados pela Covid-19 e 16 217 mortes no Rio de Janeiro, a Reitoria (sob gestão de Ricardo Lodi - ligado ao PT) a UERJ busca avançar e aprofundar os ataques aos trabalhadores terceirizados. Esses trabalhadores não tiveram direito a quarentena, já que os terceirizado da UERJ, em sua maioria mulheres negras, vêm sendo obrigadas a se arriscarem em meio à pandemia nos transportes, sem a garantia de EPI’s, adicional de insalubridade, e nenhuma testagem massiva. A todos esses absurdos se soma ao peso de alguns terceirizados que são do grupo de risco serem obrigados a voltarem a trabalhar. Enquanto demagogicamente a Reitoria se pronuncia dizendo que a UERJ "concentra todos os seus esforços para cumprir o seu compromisso com a assistência à saúde da população fluminense e, ao mesmo tempo, protege a sua comunidade universitária", a realidade expressa o exato oposto. Os terceirizados, trabalhadores que são os fundamentais para o funcionamento da universidade estão fora da “proteção da comunidade universitária e da população fluminense” da Reitoria.

De acordo com relatos dos próprios terceirizados e da página os Invisíveis, vemos que existem grandes contradições e absurdos: a Reitoria diz ter pago a folha de terceirizados mas a empresa PRIME (bandejão) demitiu funcionários diante da pandemia e também os manteve com seus vales reduzidos. Segundo os trabalhadores, durante todos esses meses na pandemia eles estavam trabalhando em escalas, no entanto a Prefeitura obrigou desde terça-feira (25/08) o retorno para todos os dias de trabalho. Diante disso, e depois de todos esses meses de exposição e exploração com seus direitos negados assinarão o aviso prévio dia 31 de outubro. O desespero frente ao desemprego que se aproxima sobrecarrega os trabalhadores, já que a renovação do contrato com a APPA por três meses acaba em outubro e mantêm terceirizados aflitos em meio a pandemia. Além disso, trabalhadores relatam redução no vale alimentação em plena pandemia: “O VR normal é uns R$450. Eu recebi R$199 esse mês, teve gente que pegou R$170, R$140.”

Esse é o reflexo da precarização via MP 936 de Bolsonaro, onde as empresas se aproveitam e a reitoria da UERJ é totalmente conivente a esse ataque. É um desenho gráfico do que é a terceirização como forma de precarização do trabalho e apontam um cenário difícil, pois sabemos que esse é o primeiro setor a sofrer com os ataques na universidade que, como já se provou nas crises recentes da UERJ, avançaram de forma mais estrutural a todos os setores. Sabemos que dentre os diversos absurdos que os capitalistas nos fazem passar e nos encher de ódio pelos que rifam nossas vidas em troca de seu benefício, parte de um esquema de corrupção exemplifica muito os absurdos fruto desse sistema. Isso para nós traz mais uma vez à tona como a defesa da universidade também passa por uma batalha constante contra a terceirização e contra todo meio que os capitalistas utilizam para lucrarem, colocando na regra do dia a inseparável luta dos estudantes e dos trabalhadores.

Os trabalhadores terceirizados que diante da pandemia foram obrigados a trabalhar (seja com a escala ou agora com os dias “normais” de trabalho) com a incerteza e medo de serem contaminados, sem a garantia de saber se voltariam com o coronavírus e poderia contaminar seus próprios familiares, enfrentaram as linhas de transporte lotadas do Rio de Janeiro, a diminuição no vale alimentação, ou seja, menos comida no prato de casa. Essa é a realidade dos trabalhadores terceirizados na UERJ, que sofrem na pele os impactos da terceirização que é o grande responsável pela precarização de vida e de trabalho desses trabalhadores. Quando falamos desses trabalhadores que a reitoria não fez nada para garantir trabalho e condição segura de vida, falamos na realidade de trabalhadores negros e negras que em sua esmagadora maioria são mulheres, as quais já têm as piores condições de trabalho, e que no marco da pandemia são os que mais são atingidos pela crise econômica e sanitária.

Tais condições que são vistas na UERJ também se expressa no conjunto de outras universidades, novamente, as reitorias não se colocam na defesas dos mesmos, como podemos ver também na USP, UNICAMP, UFMG e UFRN. Tudo isso não está separado ao projeto de precarização da vida da classe trabalhadora de conjunto, a terceirização, que sob os governos Lula e Dilma o número de terceirizados subiu de 4 a 12,7 milhões, vem sendo aprofundada pelo governo Bolsonaro, também pelos governadores, militares e participação de instituições como o STF, não está separado por exemplo do que as universidades públicas vêm passando de aprovação do dito ensino remoto emergencial, ainda que tal aprofundamento se dá em diferentes níveis pelos capitalistas. A Faísca UERJ, já foi parte de importantes cenários de luta levantada em conjunto com o movimento estudantil em defesa dos terceirizados, como foi o caso de 2015 e no ano passado quando os terceirizados estavam sendo impedidos de acessarem o elevador social.

É urgente que as entidades estudantis como os centros acadêmicos, diretórios centrais dos estudantes, organizem os estudantes a defenderem esses trabalhadores de forma independente da reitoria. Isso porque esse setor hoje na universidade fecha os olhos para o desespero e a fome desses trabalhadores, que se demitidos se somarão aos 12,8 milhões de desempregados do país. A reitoria que implementa autoritariamente o excludente e racista Ensino Remoto, afetando estudantes e trabalhadores em sua grande maioria jovens negros e pobres e tenta parecer preocupada e eficiente com distribuição de chips e tablets ao mesmo tempo que deixa a deriva centenas de trabalhadores. A luta para que não se efetive a demissão desses trabalhadores deve ser tomada por todos estudantes, professores e pela população que lutam em defesa da universidade pública.

As entidades como o DCE (dirigido pelo PT, PcdoB e LP), SINTUPERJ, ASDUERJ, precisam se colocar fortemente em defesa da manutenção dos empregos desses trabalhadores. Essa é uma defesa primordial diante de tantos ataques e parte fundamental da defesa da universidade e da educação pública. Isso porque como seria possível a manutenção da universidade sem a limpeza e os serviços quase que invisíveis desses terceirizados? Acreditamos que somente a força da nossa mobilização estudantil em unidade com a luta dos trabalhadores pode barrar esses ataques de precarização a universidade e a vida de milhares de negros e negras que os capitalistas querem impor.

Por acreditar no potencial desta unidade e na importância da luta em defesa desses trabalhadores que achamos importante uma forte campanha em defesa dos trabalhadores terceirizados, exigindo a readmissão imediata dos demitidos e pela garantia de emprego, bem como o afastamento e isolamento sem demissão e com seus direitos garantidos aos grupos de risco e o pagamento integral dos vales! Desde o CASS – Centro Acadêmico do Serviço Social da UERJ – sempre levantamos a defesa dos terceirizados, batalhando por um programa que responda profundamente a essa questão, que para nós é a defesa da sua efetivação sem concurso pois eles já provam cotidianamente, inclusive durante os meses de pandemia, que sabem exercer suas funções.
Leia mais sobre o chamado da Faísca UERJ a Campanha Nacional: https://www.esquerdadiario.com.br/Ameacas-de-demissao-e-ataques-aos-terceirizados-na-UERJ-por-uma-campanha-nacional-em-defesa-dos




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