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OBSERVATÓRIO DA TERCEIRIZAÇÃO

Terceirizado demitido pela Strategic relata condições insalubres e perseguições na Unicamp

Publicamos abaixo sérias denúncias das precárias condições de trabalho às quais os terceirizados da Strategic são submetidos na Unicamp. Essa empresa agora é responsável por colocar dezenas de famílias na rua, em meio à pandemia, sem pagar seus direitos e últimos salários. A reitoria da universidade tem sido conivente com as demissões, perseguições e condições insalubres.

terça-feira 25 de agosto| Edição do dia

"Nós ficamos esperando quase dois anos para receber uniforme novo. E o uniforme, segundo a convenção coletiva tem que ser pago e trocado a cada seis meses. E eles levaram dois anos. Então tinha muita gente com bota furada. Eu coloquei um tênis e fui trabalhar de tênis. Trabalhei três plantões de tênis e só aí eles providenciaram um sapato novo pra mim. Mas é aquilo, tem que dar a cara a tapa.

Outra questão que aconteceu bem recente: eles cobravam demais que nós falássemos para as pessoas que usassem máscara, que déssemos orientação sobre aglomeração, mas não forneceram máscara para nenhum funcionário. Falavam isso todo dia na rede de rádio, até que um dia eu cobrei um supervisor e falei que pra abordar pessoas que estão potencialmente infectadas eu deveria estar protegido também. Ele disse que tinha chegado uma remessa de máscaras mas que ia dar pra um pessoal que trabalha na área médica e que depois iria providenciar pra gente.

Uns dias depois de eu fazer a cobrança novamente, às 1:30 da manhã me deram uma máscara descartável, depois nunca mais se falou nisso. Conversando com o pessoal do turno do dia, foi dito que um técnico de segurança do trabalho disse que a máscara dá pra usar um mês, que é só passar um lenço umedecido. É absurdo. De tanto cobrar, desde o início da pandemia, eles forneceram um litro de álcool líquido, que era pra gente passar um pro outro. Depois que eu passei nunca mais vi esse álcool. Eu uso o meu pessoal, ando com ele na mochila.

Quanto às condições de trabalho nos postos: Tem posto que não tem banheiro, que não tem bebedouro. Por causa disso o vigilante tem que se deslocar grandes distâncias. Por exemplo na Faculdade de Educação, pra usar um banheiro, ainda mais agora que não ta funcionando nada, tem que se deslocar até o vestiário que fica lá em cima. Você imagina um dia que tá tendo um temporal, o vigilante precisa ir no banheiro, tá apertado, como que faz? Não tem bebedouro, então eu andava com uma garrafa de água mineral vazia, enchia lá em cima pra não ter que voltar lá. Tem muitos postos que são assim, não tem banheiro, não tem uma cadeira pra se sentar, não tem uma proteção decente contra o sol, a chuva, é tudo meio que improvisado.

Fora as perseguições de supervisor. Esse pessoal não é profissional, qualquer coisa que você reclama eles levam pro lado pessoal. Depois que eu saí um vigilante veio me falar que eu sou conhecido como o advogado dos vigilantes,que um vigilante não ia falar com o supervisor sem antes me consultar. Mas acho que o que pesou é quando eu cobrei papel higiênico, sabão e papel toalha nos banheiros do IEL, cobrei isso aí na rede de rádio, e aí eles não gostaram. Nesse dia levei duas advertências, me tiraram de um posto e me jogaram em outro. E aí na semana seguinte foi a demissão. Mas eu tinha que falar, são nossos direitos!

Nem todos os postos têm um lugar adequado para que o vigilante possa guardar suas coisas. Esses dias ninguém tá comendo no restaurante porque estão servindo marmita, mas muitos postos não tem copa. Ou até tem copa, mas o vigilante não tem acesso, é só pros funcionários. Então tem que comer sentado em qualquer lugar. Um vigilante me disse que ele come sentado dentro do carro dele, já que não tem um local adequado pra ele almoçar.

Mas a universidade também tem culpa. Inclusive eu já até chamei o técnico de segurança da empresa de omisso. É o seguinte: o empresário ele quer ganhar dinheiro, essa é a verdade. Numa empresa séria o pessoal de contratos tem que ir em cada posto de trabalho nos contratos que eles firmaram e ver as condições sanitárias do local pra dar o mínimo de condição ali pro trabalhador. Mas eles não fazem isso. Eles poderiam ter ido lá e falar: aqui tem que ter um banheiro, nem que seja banheiro químico. Aqui tem que dar uma cadeira pro vigilante sentar, uma guarita decente, aqui tem que ter um bebedouro. E isso não era feito.

Mas a universidade também é culpada, porque ela conhece os locais. Por exemplo na faculdade de educação: quando ela ta aberta tem acesso a banheiro e bebedouro. Mas fechou o expediente, aí corta esse acesso. O vigilante fica ali a madrugada toda sem acesso. Na faculdade de educação a cantina fechou, mas tem dois banheiros na cantina. Podia muito bem passar essa chave para o vigilante. E também colocar um bebedouro ali perto. Mas a universidade não faz."

A terceirização precariza, humilha e divide os trabalhadores. O Esquerda Diário se solidariza com todos os trabalhadores demitidos pela Strategic neste momento de grave crise econômica e sanitária e está a serviço de fortalecer a voz dos trabalhadores para que todos os seus direitos sejam pagos, contra o calote da empresa, para que os trabalhadores possam ser readmitidos e que as demissões sejam proibidas pela Reitoria da Unicamp. É preciso batalhar pela efetivação de todos os terceirizados e terceirizadas sem a necessidade de concurso público.




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