Opinião

RIO GRANDE DO SUL

Temporal e ventania destroem Porto Alegre e escancaram abandono da cidade

Na noite deste domingo (1º), um temporal e uma forte ventania deixaram estragos em Porto Alegre e em outras cidades do Rio Grande do Sul. Inúmeras regiões ficaram horas sem luz, postes e árvores foram derrubados e até uma morte foi registrada. Uma tragédia que mostra como o poder público não tem respostas para os problemas mais básicos da infraestrutura das cidades.

segunda-feira 2 de outubro| Edição do dia

Foto: Anderson Aires/Agência RBS

Todo mundo que vive em Porto Alegre sabe que o clima da cidade é, digamos, violento. As bruscas mudanças de temperatura são acompanhadas de ventos fortes, temporais e até ciclones. É uma questão estrutural da cidade, como ocorreu na noite deste domingo com ventos de cerca de 100km/h.

Mesmo assim, a cada novo temporal e ventania, milhares de pessoas são afetadas, ficam horas sem luz, têm suas casas destruídas, ficam sem transporte, e muitas acabam inclusive se ferindo com árvores e postes caídos.

Foi o que vimos em Porto Alegre e região neste domingo. Depois de um dia quente o vento e a chuva vieram com força. Pela cidade, inúmeras árvores e postes de luz caídos, oferecendo sérios riscos à população. No interior do estado, em Sapiranga, a tragédia foi maior: uma mulher foi morta por um cabo de luz que estava baixo após a queda de um poste. Na capital a estrutura de um circo cedeu durante a tempestade e deixou dezenas de feridos, também um episódio trágico.

Não é normal que as árvores da cidade estejam podres e que a prefeitura só descubra isso quando elas caem em meio a um temporal. Não é normal que a rede elétrica da cidade seja sustentada por postes também apodrecidos pelo tempo e pelo descaso. Não é normal que, por isso, bairros inteiros fiquem mais de 12 horas sem luz. Não é normal tantas trabalhadoras e trabalhadores mal terem como sair de suas casas devidos às vias obstruídas, e ainda correrem o risco de, quando retornarem, verem árvores, postes e outros pedaços da cidade lhes oferecendo riscos. Não é normal que vidas se percam devido ao clima da região. Tudo isso mostra um enorme descaso dos políticos com o que há de mais básico na infraestrutura da cidade, que afeta diretamente a vida das pessoas.

No caso de Porto Alegre, Marchezan quer privatizar a Carris e entregar a cidade às mãos do empresariado, parcela salários dos trabalhadores do serviço público, ameaçou fechamento de secretarias, entre outras medidas contra a população. Desde o início da gestão o prefeito não se preocupou em investir na prevenção desse tipo de desastre. Agora, em seu Facebook "lamenta" e "acompanha ocorrências", mas o que fez antes, nos dias de sol, para preparar a cidade para os dias de chuva?

A chuva, o vento, fatalmente irão ocorrer. Temporais são comuns em Porto Alegre, qualquer governante sabe disso. Mas o prefeito prefere atacar os trabalhadores e se concentrar em convencer a população da necessidade de vender a Carris do que ir atrás de resolver os problemas estruturais da cidade. É lógico que nenhuma chuva é culpa da prefeitura, mas cabe ao poder público ter políticas para que esses fenômenos da natureza que ocorrem com tanta frequência não gerem tamanhos estragos. O simples acompanhamento das condições das árvores e postes da cidade já poderia fazer bastante diferença. Alguns caíram, outros não, por quê? Porque alguns estavam em condições de serem utilizados e outros não.

Um episódio simbólico neste sentido foi quando, logo no início da sua gestão o prefeito chegou a tentar fechar a Secretaria de Meio Ambiente. É um setor do serviço público que certamente estaria em uma equipe que controlasse quais árvores da cidade estão podres e quais estão em condições de aguentar uma chuva. Isso para dar somente alguns exemplos muito simples de como a prefeitura poderia agir no sentido de reduzir danos de temporais, ventanias e outros fenômenos da natureza, tão comuns na cidade. Se não há como evitar tais fenômenos seguramente há como reduzir os danos causados por eles na vida das pessoas.

Parece até uma piada de mau gosto Marchezan agradecer aos trabalhadores, ressaltando seus salários atrasados. É evidente que sem os servidores públicos nenhum tipo de manutenção e prevenção é possível na cidade. Inclusive se eles mesmos pudessem gerir seus serviços, seguramente teriam melhores condições de eleger prioridades nesse sentido. A prefeitura de Marchezan, porém, privilegia a manutenção dos cargos políticos no quadro de funcionários, com seus mega salários, além dos próprios privilégios do executivo, e o repasse de dinheiro público à consultorias e instituições privadas, do que a garantia dos salários dos trabalhadores.

Veja mais: Municipários de Porto Alegre deflagram greve contra Marchezan




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