Política

Temer viaja à China para G20 e indica ao mundo que o Brasil esta à venda

Fernanda Montagner

São Paulo

sexta-feira 2 de setembro| Edição do dia

Viagem a China é primeiro compromisso internacional do golpista Michel Temer como presidente do Brasil, seu principal objetivo é mostrar para os governos e empresários do mundo que esta tomando as medidas necessárias para aplicar os ajustes e garantir segurança ao capital internacional para grandes investimentos no país, a partir de projetos de privatização e em base a muita repressão, para passar a imagem de que o período político instável foi superado. No domingo ele participará também do G-20.

No evento haviam cerca de 100 empresários brasileiros e 250 chineses em Xangai, alguns projetos já foram acordados, como: a CBSteel oficializou acordo de US$ 3 bilhões (R$ 9,75 bilhões) para siderurgia no Maranhão. A China Communications Construction Company (CCCC) informou um aporte de US$ 460 milhões (R$ 1,5 bilhão) em um terminal multicargas em São Luís (MA). A Hunan Dakang disse que investirá US$ 1 bilhão (R$ 3,25 bilhões) em agricultura no Brasil. E a Embraer fechou a venda de pelo menos 4 aviões para dois grupos chineses.

É um verdadeiro cardápio de venda ao capital privado internacional das riquezas e serviços nacional, acompanhado de demissões e precarização do trabalho. O governo golpista trabalha com um banco de projetos em infraestrutura que somará US$ 269 bilhões entre 2016 e 2019. A primeira parte desse menu de venda será detalhada ainda este mês pelo secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco.

O principal setor a receber capital internacional é justamente o de petróleo e gás, que somam cerca de US$ 90,6 bilhões. Nessa cifra, explicou Meirelles, estão valores relacionados à Petrobrás. O governo não especifica como será os acordos dessas vendas, mas envolvem parcerias e privatizações parciais, ou seja entregar aos empresários internacionais as riquezas do Brasil, para que se transforme em lucro dos grandes monopólios como a Shell, em vez de se reverter em saúde e educação, tal como é uma demanda histórica dos estudantes para que os lucros da Petrobras sejam revertido em educação.

Em seguida, estão os setores de energia elétrica (US$ 65,5 bilhões), telecomunicações (US$ 43,6 bilhões), estradas (US$ 26,6 bilhões), saneamento básico (US$ 10,9 bilhões), ferrovias (US$ 10,1 bilhões), além de mobilidade urbana, aeroportos, portos e resíduos sólidos - todos com menos de US$ 10 bilhões potenciais cada para o período.

Meirelles declarou, "Em resumo, é um vasto e amplo programa de investimento em infraestrutura de diversas formas no País", disse. "É um mapa do que se pode ser feito em quatro anos. Tudo que pode ser concessionado, privatizado". Assim o governo golpista indica ao mundo que o Brasil esta literalmente a venda, essa é a cara dos planos de ajustes prometidos pelo governo Temer, e do qual o mesmo esta pressionado pelo capital internacional e a burguesia neoliberal nacional, para que realize o mais rápido possível. Essa viagem a China também indica, principalmente aos Estados Unidos, os interesses do governo brasileiro de se reaproximar do país imperialista, abrindo o pais para maior intervenção do mesmo.

Contudo o governo terá ainda dois desafios para realizar seus planos de mercado, o primeiro com o parlamento corrupto, após a crise em sua base de apoio com a votação em separada da votação no processo do impeachment de Dilma, que lhe resguardou os direitos políticos, manobra articulada por parte do PMDB que irritou o PSDB. Assim Temer terá que recompor sua base no Congresso, sem a qual não conseguirá aprovar o ajuste fiscal nem o novo modelo de concessões, dois dos principais elementos de sedução de potenciais investidores estrangeiros.

O segundo, e o que o golpista e todo o congresso mais temem será uma possível resposta operaria com greves e mobilizações. O golpista terá que se enfrentar com a resistência do movimento operário e juventude, que no caso desta última, já esta saindo as ruas. Os trabalhadores que por conta das burocracias sindicais petistas tiveram sua organização para luta contida durante o último período, contudo frente as privatizações e a ameaça de desemprego e ataques a condições de trabalho, colocam a emergência da possível resistência dos trabalhadores. Ainda que, além das privatizações o governo esta prometendo ataque na previdência e nas leis trabalhista, ou seja, são duros ataques para os trabalhadores e devem colocar a prova sua potencialidade de luta. Uma vez que os trabalhadores vem esticando seus músculos desde 2013 vendo a juventude saindo as ruas, e nas suas primeiras batalhas, como a greve dos garis do Rio de Janeiro em 2014, e as diversas greves que vieram desde então, conhecida como maio operário.




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