Política

28A

Temer tenta esconder o dia 28 e diz que trabalhador não tem capacidade de se mobilizar.

Nesta quinta-feira, 4, o presidente ilegítimo Michel Temer declarou que a resistência à Reforma da Previdência parte dos poderosos, de modo que são esses que tem capacidade de mobilização, e não os “chamados pobres”. Façamos ele pagar com a língua nos organizando em comitês de mobilização!

Ítalo Gimenes

Campinas

sexta-feira 5 de maio| Edição do dia

“Quem faz a campanha dos chamados pobres na verdade está fazendo a campanha dos poderosos, porque são eles que têm capacidade de mobilização e agitação”, diz Temer.

Mais uma vez Temer se utiliza de um discurso grotesco, reproduzido ostensivamente pela mídia burguesa, que nega a mobilização massiva de trabalhadores na greve geral da última sexta-feira, dia 28, que pararam os transportes, as aulas, os serviços, fábricas, enfim, pararam o país com suas próprios métodos de luta, contra as reformas do seu governo golpista, em especial a Reforma da Previdência.

Um discurso inteiramente covarde, pois tem a intenção de negar aos próprios trabalhadores a percepção que tiveram nessa última sexta-feira que são capazes de parar o país para conquistar uma grande vitória derrotando as reformas e de derrubando o governo rechaçado de Temer, de modo a impor uma correlação de forças que permita aos trabalhadores decidirem sobre os grandes problemas do país.

Não bastasse isso, seu discurso estabelece uma inversão do que na realidade expressa-se de rechaço à proposta de ataque à aposentadoria. Não é necessário adentrar em detalhes da dimensão desse ataque para entender por que a rejeição à Reforma da Previdência atinge acima de 70% da população. É uma proposta que estende o tempo de contribuição, a idade mínima de aposentadoria e reduz o já miserável valor com que o trabalhador terá de se virar nos últimos anos da sua vida, caso tenha a sorte de se aposentar ao invés trabalhar até seus últimos dias como acontecerá com a maioria dos trabalhadores do país.

Talvez Temer queira acreditar que a sua política desesperada de compra de votos dos parlamentares ou de parceria (regada a dinheiro público) com as milionárias emissoras de televisão para fazer terrorismo com a população em favor do ataque à previdência, estes sim muito poderosos, tenha convencido os trabalhadores da sua Reforma da Previdência. Além desses, poderosos representantes da FIESP, do banco Itaú, do capital estrangeiro, do imperialismo, estão na campanha favorável a essa reforma desde o golpe institucional, por isso inclusive pressionando Temer hoje para que não dê um passo atrás em relação a esta e as demais reformas, mesmo que esteja assustado, como está, após a demonstração de força dos trabalhadores no dia 28.

O que é fato na realidade é que a mobilização dos trabalhadores pode e deve ser ainda maior. O dia 28, mesmo com uma adesão massiva, expressou um controle importante das burocracias sindicais, as mesmas que após esse dia ao invés de falar em uma greve geral prolongada, de planejar um plano de lutas, falam abertamente em trair a luta negociando “concessões” às reformas, como faz a Força Sindical, ou de transformá-la em mera pressão parlamentar que tem por objetivo limitar o potencial que os métodos de luta dos trabalhadores tem em derrotar de fato as reformas e derrubar Temer.

Para fazer com que Temer pague com a língua quando diz que os trabalhadores não conseguem se mobilizar, é necessário coordenar a batalha nos locais de trabalho, com um plano de lutas nacional exigindo das centrais sindicais um Encontro Nacional de Delegados de Base, que reflita como devemos seguir o combate. Para que nossa luta não esteja contida nas mãos dessas direções sindicais é muito importante que cada trabalhador e estudante se organize, em cada local de trabalho e estudo, em comitês que reúnam não apenas dirigentes sindicais, mais milhares de jovens e trabalhadores, exigindo que hajam assembleias nas suas fábricas, colégios, universidades e bairros para conformar esses comitês. Assim podemos impulsionar uma mobilização desde a base dos setores em luta para "Ocupar Brasília" e lutar por um plano de lutas que prepare uma greve geral até derrotar as reformas e derrubar Temer.




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