Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Temer tenta com dificuldade reorganizar sua base de corruptos para reforma da previdência

sexta-feira 4 de agosto| Edição do dia

Após beneficiar-se da compra de sua impunidade na sessão plenária da Câmara dos Deputados de quarta (02), o presidente golpista Michel Temer reuniu-se, ontem (03), com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Antonio Imbassahy (secretaria de governo da Presidência da República) e com os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e André Moura (PSC-SE), lideres das bancadas de seus respectivos partidos, para “estudar” repartição do butim entre seus cúmplices. A base aliada do governo golpista, desde a reprovação da denúncia contra Temer, tem pressionado este último em relação aos cargos concedidos a “infiéis”, que votaram a favor da denúncia, principalmente o PSDB.

Na tarde de ontem, Temer afirmou, em entrevista à Band News, estar sentindo-se “fortalecido”, apesar de a votação a favor do governo na quarta-feira ter sido inferior à necessária para a aprovação da reforma da previdência. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) teria dito, após a votação, que é “óbvio que o arquivamento temporário da denúncia é uma vitória, mas houve uma derrota política importante do governo, pois ele buscava sair com o quórum constitucional para sustentar ao mercado a possibilidade da vitória da PEC da Previdência e não conseguiu fazer isso”, segundo o portal Brasil 247. Entrevistado pelo mesmo, Chico Alencar (PSoL-RJ) concordou que o governo continuará enfrentando dificuldades: “O governo sempre disse que tinha mais de 380 deputados. O resultado da votação foi longe disso e não chega nem no número necessário para votar a Previdência, que são 308.”

Entre os parlamentares da base golpista, não há consenso em relação à proposta de cronograma de Temer, de pôr em votação a reforma da previdência na primeira quinzena de setembro e terminar de aprova-la até o final de outubro. Por um lado, os golpistas tentam evitar que o tema, absolutamente impopular, “transborde” 2017 e chegue a 2018, que é ano eleitoral. Por outro, parte da base golpista, segundo o Estadão quer aprovar antes da reforma da previdência, a reforma política, de maneira a garantir sua reeleição, principalmente os partidos do assim chamado “centrão”, como PP, PR, PSD e PTB.

Além da reforma política, as duas principais dificuldades de Temer para pôr em prática seu cronograma são a exigência dos cargos dos “infiéis” por parte da base golpista, que ameaça “travar” a reforma e, inclusive, não defender o presidente caso a Procuradoria Geral da República (PGR) faça uma segunda denúncia; e a “recomposição” da bancada do PSDB, da qual menos da metade votou contra a investigação de Temer. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que será preciso “muito esforço” para cumprir o cronograma de Temer, e que não permitirá que a reforma seja votada se a base golpista não conquistar pelo menos 330 ou 340 votos, o que torna o PSDB “chave”.

Em contrapartida, o secretário-geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), assegurou que “Não dá para misturar com a votação. Provavelmente 90% dos deputados são a favor da Reforma da Previdência”, segundo notícia de O Globo. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugere ao próprio partido: “vamos fazer as reformas e aí decidir o que fazer.” O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, de maneira eufêmica, “Se dependesse de mim, o PSDB não teria participado do governo, embora deva ajudar em todas as medidas de interesse da população.” (?!) enquanto o prefeito João Dória foi mais explícito: “O importante é proteger as reformas para que elas prossigam no Congresso.”




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