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Temer quer roubar nosso futuro, e a burocracia sindical, complacente, lhe dá trégua

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

segunda-feira 17 de outubro| Edição do dia

Foto: Agência Brasil

O resultado das eleições com importante derrota do PT em todo o país, parcela maior de votos nulos e abstenções e algumas vitórias folgadas de tucanos como João Doria foram interpretadas por toda elite nacional como um sinal verde para seus ataques.

Esse mandato está longe de já estar conquistado. Mesmo em lugares que exibem um segundo turno entre direita e ultra-direita como Curitiba há centenas de ocupações de escola contra os ataques de Temer. Ou seja, o fortalecimento da direita nos governos e câmaras não significou, ainda, que já perdemos. É possível derrotar um governo que goza de uma popularidade ridícula, de dar inveja em Dilma.

Sua agenda de ataques pode ser mostrada à maioria dos trabalhadores desmascarando que esses ataques não são necessários. A mídia tenta ajudar o governo a falar que “todos precisam apertar os cintos”. Mas os cintos dos privilégios dos políticos, de um judiciário que é o mais caro do mundo com seus super-salários e privilégios, e sobretudo por causa da dívida pública paga a um punhado de banqueiros nunca se aperta. Querem atacar nossos direitos, nossa saúde e educação para entregar mais de 45% do orçamento aos banqueiros.

Graças a cumplicidade da burocracia sindical, sobretudo os sindicatos dirigidos pelas ex-governistas CUT e CTB, Temer está conseguindo emplacar seu roubo do futuro do país contando até o momento somente com a resistência de setores da juventude que a UNE não tem conseguido desviar e conter.

Temer quer acabar com seu futuro

As diversas medidas que Temer está implementando mediante decreto ou projetos de lei podem ser resumidas como um “roubo do futuro”. A PEC 241 congela os gastos na saúde e educação por 20 anos, significando um roubo de vidas na saúde e uma precarização ainda maior da educação.

Na educação, decretou via medida provisória, uma alteração do ensino médio que extingue disciplinas como artes, educação física, sociologia e filosofia para dar um caráter mais “moderno” ao ensino. A modernidade no caso é voltar tudo à exploração, ao trabalho, ao lucro dos empresários.

Além disso Temer estuda aprovar uma reforma da previdência que faça todos trabalharem, diferente dele e outros “bem-afortunados” até mais ou menos os 70 anos de idade para ter direito a uma aposentadoria de miséria.

Com a ajuda do judiciário Temer está conseguindo emplacar aspectos da reforma trabalhista, visando acabar com vários direitos da CLT, uma das medidas que o STF tem lhe dado aval é para já fazer o acordado valer acima da lei. Ou seja, mediante acordo com sindicatos vendidos podem entregar direito de férias, almoço, etc.

A burocracia sindical dá trégua a Temer, façamos como o Paraná

A maioria dos sindicatos do país é controlado por centrais sindicais que ou apoiavam Dilma ou foram parte de apoiar o golpe institucional, como é o caso da vendida Força Sindical. A CUT e CTB falam em greve geral, mas nunca a organizam na base mediante assembleias e ações que possam colocar a força da classe trabalhadora em ação. Seguem a orientação de Lula desde antes do golpe “resistir sem incendiar o país”. Eis que na maioria dos estados o funcionalismo sofre calote e justamente áreas tão atacadas pela PEC 241 (como a saúde e educação) são majoritariamente dirigidas pela CUT e CTB em todo o país. Porém nenhuma ação está sendo convocada para além da greve do funcionalismo no Paraná. Ou seja, a burocracia sindical é cúmplice dos ajustes por sua trégua ao governo Temer.

Quem tem mostrado disposição de luta é a juventude. Com as 600 ocupações no Paraná e várias outras pelo país. Atos contra a PEC 241 contam com uma notável ausência da CUT, CTB e sindicatos e importante presença da juventude.

É possível e necessário fazer como o Paraná. Para isso é preciso exigir que a CUT e CTB rompam sua trégua e organizem um imediato plano de lutas para barrar todos os ataques.




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