Política

GABINETE GOLPISTA

Temer quer reprimir sem ordem judicial, SP é seu modelo

Um dos últimos atos do atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, quando era Secretário de Segurança de Alckmin foi conseguir com seus amigos do judiciário paulista um parecer favorável a que sejam realizadas reintegrações de posse sem mandato judicial.

Danilo Paris

Professor de sociologia da rede pública

quarta-feira 18 de maio de 2016| Edição do dia

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin ordenou a desocupação de escolas e diretorias de ensino com este parecer. Dezenas de estudantes, menores de idade, foram detidos. Alckmin e Temer elegem como prioridade de governo reprimir seu principal fio desencampado: a juventude. A juventude e as lutas da educação colocam em risco os ajustes e a estabilidade para os golpistas, precisam ser derrotados, amedrontados. Para isto rasgam, com complacência do judiciário, as leis vigentes do país.

Sob o lema do governo golpista "Ordem e Progresso", a procuradoria paulista emitiu parecer que faculta ao governo negociar ou não, e impõe a retomada das instalações públicas sem ordem judicial. Decidiram que este direito é superior ao direito de manifestação. Sua definição de “ordem” e reprimir quem se coloque no caminho dos ajustes. O ministro de justiça já anunciou que pretende reprimir os movimentos sociais que fecharem vias, já aos “manifestantes” do impeachment o mesmo ministro garantia passe-livre no metrô e negociava junto a Rede Globo mudança nos horários de jogo de futebol para facilitar-lhes a presença.

A nova medida arbitrária não sofreu nenhum questionamento por nenhum um juiz. Continua contra movimentos sociais e a juventude o que já a prática em morros, favelas, bairros populares. Ali não é necessário mandado de busca e apreensão. A Lava Jato generalizou métodos repressivos. Com triunfo do golpe Temer e Moraes buscam testar a correlação de forças para ver se é possível aplicá-la em todo o país contra a juventude, trabalhadores e movimentos sociais.

Como viemos dizendo inúmeras vezes, antes e depois do golpe institucional, o fortalecimento do Judiciário - aclamado pelo PSTU e pelo PSOL, vergonhosa "esquerda Lava Jato" - está a serviço de reprimir as lutas contra a aceleração dos ajustes, único objetivo do golpe institucional, do qual o poder Judiciário foi um feroz defensor. A provocação ao MTST, iniciada ontem com a anulação, pelo tucano Bruno Araújo, da construção de 11.250 unidades do Minha Casa Minha Vida, e a declaração de Moraes de que em todo o país o Executivo de Temer poderá reintegrar posse sem mandado judicial, é a prova mais recente do que viemos alertando. Se o golpe serve para aplicar ajustes mais duros do que vinha implementando Dilma, é preciso que haja "paz social" no Brasil. Na boca de Temer e Moraes, "pacificação nacional" significa repressão de todos os que se opõem aos interesses dos empresários. Isto é mais uma prova do papel criminoso de toda a esquerda que aplaude a Lava Jato e suas prisões sem condenações, conduções coercitivas e outras medidas autoritárias quando não diretamente inconstitucionais. O “partido judiciário” e seu braço armado se fortalecem, e depois de treinar sua mão com os pobres e negros, afinando suas armas com Lula e empreiteiros agora se voltam contra a juventude e trabalhadores.

É preciso unir e coordenar os secundaristas paulistas, as universidades em greve, os trabalhadores da USP em greve para um movimento contra o governo golpista, seus ajustes e suas medidas arbitrárias e autoritárias.




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