Sociedade

PRIVATIZAÇÃO DOS AEROPORTOS

Temer quer privatizar todos os aeroportos, mais precarização e entrega do patrimônio público

O governo Lula-Dilma começou com o projeto de privatização dos aeroportos em 2012 sob a máscara das famosas “concessões” ao setor privado, agora Temer pretende aprofundar a entrega do patrimônio público ao capital nacional e estrangeiro privatizando todos os aeroportos do país.

quarta-feira 16 de agosto| Edição do dia

Os meios de comunicação dos capitalistas têm anunciado com muito entusiasmo a proposta do governo de privatização dos aeroportos, chegando inclusive a usar como referência o “sucesso” dos casos dos aeroportos que já estão em mãos de empresas privadas. Esquecem que um dos casos de “sucesso” seria um dos primeiros aeroportos privatizados no país, o de Viracopos, que hoje está em crise e que a empresa administradora quer devolvê-lo ao governo, que por sua vez pretende entregar aos empresários caloteiros o valor investido nos anos em que o aeroporto esteve sob sua administração. Neste Texto você pode saber mais sobre.

Acontece que o exemplo de Viracopos não é exceção. Se bem que os empresários corruptos encontram distintas artimanhas para fazer o que bem entendem com o dinheiro público, este exemplo específico mostra como a privatização só pode beneficiar uma casta específica: a dos patrões e de seus políticos corruptos.

Para se ter uma ideia, a proposta da ala majoritária do governo é leiloar os aeroportos por lotes, onde cada lote tenha um aeroporto mais atrativo para os capitalistas. Um lote X teria por exemplo alguns aeroportos de menor interesse e algum outro de grande interesse, como de Congonhas em São Paulo, Santos Dumont no Rio de Janeiro ou o de Curitiba. Imaginem o que pode acontecer com a já tão débil aviação regional do nosso país? Provavelmente minguaria à nada ou ao menos sofreria grande redução, já que o investimento ficaria concentrado nos aeroportos de maior rentabilidade, sem nenhuma preocupação com a população das regiões remotas que poderiam utilizar dos aeroporto regionais para se deslocar se estes tivessem custos acessíveis e tivessem a serviço de suas necessidades.

Mas de qualquer forma, seja por lote ou não, nenhum processo de privatização será benéfico para a população. A privatização em si busca tirar do âmbito público, que seria de todos nós, para uma minoria já podre de rica que tem como único interesse ficar ainda mais rica. Para aumentar seus lucros, os empresários utilizam a fórmula nada nova da precarização e da terceirização. As últimas reformas aprovadas pelo governo Temer, como a Lei 4.330 da terceirização ou a recente reforma trabalhista estão à serviço de tornar mais fácil para estes empresários descarregar a crise nas costas dos trabalhadores da aviação. Seriam mais de 10 mil trabalhadores da atual Infraero com o destino incerto se passam estas privatizações.

Leia também: Temer coloca setor aéreo em liquidação: por que a entrega ao capital estrangeiro é ruim para passageiros e trabalhadores?

Os trabalhadores podem frear o avanço da privatização nos transportes

O setor de transportes é essencial para a população e por isso temos que nos organizar para acabar com as privatizações e levantar a bandeira da efetivação dos terceirizados sem necessidade de concurso público.

No Metrô de São Paulo, esta é a luta que os trabalhadores do Movimento Nossa Classe leva dia a dia, lutando para organizar os trabalhadores metroviários de maneira independente contra a privatização, contra a perseguição política e demissões arbitrárias como forma de combater a privatização que hoje tenta avançar sobre a linha 5 (lilás) do Metrô. Os trabalhadores da aviação precisam criar seus próprios meios de resistência ao avanço do capital nacional e estrangeiros sobre os aeroportos, primeiramente, organizando os milhares de trabalhadores do quadro efetivo da Infraero junto com os trabalhadores das cias aéreas que operam nos aeroportos contra a privatização e para efetivar todos e todas as terceirizadas sem necessidade de concurso público, e seguindo por lutar para que toda a rede de transporte esteja a serviço da classe trabalhadora e por isso precisa ser gerida por seus trabalhadores e usuários, ou seja, lutar pela re-estatização de todos os aeroportos que hoje se encontram em mãos da iniciativa privada e um plano de expansão pensado para atender as necessidades da população.




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