Economia

PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS

Temer quer privatizar 4 refinarias e vários terminais, ataque histórico à Petrobrás

O presidente da Petrobrás Pedro Parente anunciou nessa quinta que pretende vender 4 refinarias e 12 terminais, nas regiões nordeste e sul do país. Esse é mais uma expressão de um enorme ataque e entrega dos recursos naturais do país para o capital privado.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

quinta-feira 19 de abril| Edição do dia

O presidente da Petrobrás Pedro Parente anunciou nesta quinta-feira, 19, que até o final do ano pretende vender o controle das refinarias Abreu e Lima, Landulpho Alves, Alberto Pasqualini e Presidente Getúlio Vargas, sendo as duas primeiras do nordeste e as duas últimas do sul, além de outros 12 terminais associados. Isso corresponde a privatização dos blocos regionais inteiros das regiões nordeste e sul do país.

Na proposta apresentada por Pedro Parente, a Petrobrás manteria o controle de 40% dos blocos, enquanto as empresas privadas que adquirirem o controle dos recursos naturais do país ficariam com 60% da participação. Tal proposta foi debatida nessa quinta no Rio de Janeiro, em um seminário com a participação do Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional do Petróleo e do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível.

A estatal ainda declarou que, se tal modelo apresentado for aceito pelo Conselho de Administração da Petrobrás, as empresas privadas adquirem o controle, mas a petroleira segue com 75% do mercado brasileiro, pois manteria as outras 9 refinarias e 36 terminais – a maioria concentradas no sudeste – sob seu controle. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, fez coro à proposta de Pedro Parente, mostrando estarem alinhados em defesa da entrega dos recursos brasileiros.

Temer já vinha mostrando seu interesse em privatizar a Petrobrás, e já havia colocado à venda a refinaria de Pasadena, no Texas, conforme anunciou mês passado. Além disso, Temer já havia sancionado uma lei de entrega total do pré-sal, reafirmando seu compromisso com os interesses imperialistas, situação essa que já havia sido revelada pela Wikileaks, que dizia que desde 2009 José Serra já articulava com empresas estrangeiras diversas mudanças nas regras de exploração do pré-sal.

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Esse enorme ataque é mais um numa grande lista de ataques que foram passando nos últimos anos, com o fechamento das fábricas de fertilizantes, a venda das plataformas do pré e pós-sal, a constante ameaça de privatização, que vai se concretizando ainda mais agora com a venda das 4 refinarias.

A falta de uma forte resposta aos ataques por parte da FUP, permitindo que eles passassem tranquilamente ao não organizar a base dos trabalhadores para responder nacionalmente, e não apenas pontualmente onde o ataque é desferido, é responsável pela atual desmoralização dos petroleiros para lutar contra esse novo ataque dos golpistas, que é ainda maior do que a grande privatização e entrega dos recursos feito em 1995 pelo então presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Naquele momento, foi construída a maior greve dos petroleiros do país, e nesse momento a resposta não pode ser diferente.

É preciso organizar a luta dos petroleiros contra a privatização. Porém a FUP, que dirige a categoria nacionalmente, pretende organizar uma greve apenas para meados de maio. Mas os petroleiros não podem sentar e esperar o andamento dos trâmites burocráticos das negociações da privatização, é fundamental que desde já a FUP comece a organizar assembleias em cada refinaria, terminal, plataforma, termoelétrica, fábrica de fertilizantes, para preparar uma forte resposta contra esse ataque, que unifique toda a categoria nacionalmente para responder de uma só vez, a partir de uma forte greve que seja capaz de barrar esse plano de Pedro Parente e Temer. Assim como fizeram os professores municipais de São Paulo, que obrigaram Doria a recuar em seu plano de reforma da previdência a partir da força da greve.

Uma greve que se transforme em um forte ponto de apoio para os petroleiros avançarem em uma luta mais profunda, contra os golpista e a continuidade do golpe, que segue se aprofundando com o avanço do autoritarismo do judiciário. Para que essa luta contra a venda das refinarias se transforme em uma luta contra todas as reformas do governo Temer e pelo direito da população decidir em quem votar.

A única maneira de impedir que ataques como esse entreguem nossos recursos, fazendo-os servir ao imperialismo, é lutando pela estatização de todos os recursos do petróleo que já foram privatizados e por uma administração democrática da Petrobrás pelas mãos dos trabalhadores, para fazer com que os recursos sejam administrados conforme os interesses do povo brasileiro.




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