Política

DENÚNCIA CONTRA TEMER DEVE IR À VOTAÇÃO

Temer quer enterrar denúncia o quanto antes e faz ofensiva para votação ter quórum amanhã

Às vésperas da votação da denúncia da PGR contra Temer ir à votação no plenário da Câmara, e com quase metade dos deputados não tendo declarado seu voto, Temer faz esforço para garantir que o quórum mínimo da votação seja alcançado. A esperança dele é barrar já amanhã a denúncia.

terça-feira 1º de agosto| Edição do dia

Para que a votação seja feita no plenário são necessários 342 deputados presentes no plenário. Atualmente, nem Temer e nem a oposição têm garantido esse número de deputados para atingir o quórum mínimo.

Se nas últimas semanas o governo anunciava a estratégia de "deixar correr", afirmando que seria a oposição que deveria ter a preocupação de garantir o quórum, agora o governo mudou sua tática. O que o presidente quer é que os partidos orientem seus membros a comparecer à Câmara para que seja encaminhada a votação e que, assim, o assunto seja encerrado e não se prolongue mais a ameaça que paira sobre o Planalto.

O vice-líder do governo na Câmara, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), afirmou que a base aliada de Temer possui 380 deputador na Câmara, o que seria suficiente para comparecer ao plenário amanhã e encerrar o assunto, arquivando definitivamente a denúncia contra a presidência. Ele disse que "você apoiar o governo, ter cargo no governo, ter ministério e fazer o jogo da oposição, me desculpe, não aceito", referindo-se ao grande contingente de parlamentares que fazem parte da base aliada mas ainda não se pronunciaram em apoio a Temer.

A intenção dos governistas é obter ao menos metade dos deputados da casa presentes no plenário (257), e com isso apresentar um requerimento para que a denúncia seja arquivada.

De acordo com levantamento feito pelo jornal O Globo, ainda existem 40% dos deputados que não declararam como pretendem votar, número bastante expressivo e que deixa em aberto o resultado. Na noite de segunda, eram 203 que não haviam declarado o voto contra apenas 197 que afirmaram que votariam para que a denúncia fosse adiante e 112 que afirmaram que defenderiam o presidente golpista contra a denúncia.

Para tentar garantir mais votos, Temer irá almoçar com deputados da bancada ruralista nessa terça-feira, 1, e seguir o procedimento de distribuição de favores entre os que prometerem salvá-lo da cassação.

Um assessor do governo afirmou que Temer prevê que a votação ocorrerá na quarta, mas que nem por isso os membros do Planalto acreditam que o governo irá se recompor plenamente. Acreditam que a votação continuará demonstrando que Temer não têm a força necessária para levar adiante os novos ataques contra os trabalhadores como a reforma da previdência.

A oposição, da mesma forma que a base aliada, apresenta divergência sobre a melhor forma de seguir desgastando Temer: se comparecendo ao plenário para tentar aprovar a denúncia, ou não indo para seguir desgastando o presidente. Ocorrerá nessa terça um almoço entre deputados do PT, PCdoB, Rede, PSOL, PDT e parte do PSB para debater a questão.

Os petistas querem levar a votação adiante mesmo que não possuam votos suficientes para que a denúncia tenha continuidade. O líder da bancada do PT, Carlos Zarattini, afirmou: "Se tiver votação e metade votar contra, o Temer vai ficar sangrando. Ganhar com 250 votos tendo uma base de 400 é vitória?". Isso porque o principal interesse dos petistas é desgastar Temer para fortalecer a candidatura de Lula em 2018. Apesar disso, publicamente suas figuras negam que tenham interesse na permanência de Temer, tal como fez Gleisi Hoffmann ao dizer: "Eu estou ouvindo por aí: o PT quer que o Temer fique. Isso é ruim para o país, que está numa situação absurda."




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