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COMPRANDO DEPUTADOS

Temer oferece jantares e promessas eleitorais para garantir Reforma da Previdência

O último domingo (3) foi um dia cheio para os golpistas. Com almoço com Temer no Palácio da Alvorada e jantar na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governo iniciou sua ofensiva junto aos parlamentares da base contrários à Reforma da Previdência.

terça-feira 5 de dezembro| Edição do dia

Com prazo cada vez mais apertado para garantir mais um ataque contra os trabalhadores, o governo dedicou todo último domingo à um “menu” especial no Palácio da Alvorada e na casa de Maia. O prato principal era garantir – com promessas eleitorais, benefícios em coligações partidárias, distribuição de mais tempo de TV e fundo eleitoral – o maior número de apoio para colocar em pauta a Reforma da Previdência sem risco de perder na Câmara.

Segundo Maia “se o parlamentar está preocupado em perder voto porque apoiou a reforma, ele tem que lembrar que, para ser eleito, precisará estar numa coligação e precisará de tempo de TV”. A ofensiva do Presidente da Câmara é marca de como o governo tem pressa em garantir o maior apoio para a aprovação da reforma por meio de almoços e jantares luxuosos, além das velhas negociatas.

A pressão por parte do governo já demonstrou, portanto, ter surgido efeito. Pelo menos dois partidos da base (PP e PTB) indicaram a possibilidade de fechamento de posição em relação a aprovação da Reforma da Previdência. Posição que pode gerar punição para aqueles que votarem contra a orientação da legenda. Contudo, a expectativa do governo é que PSDB, PRB e PMDB sigam o exemplo, garantindo assim maioria na aprovação da reforma.

As cinco legendas reúnem 206 deputados. Como sendo uma emenda à Constituição, são necessários 308 votos para que se aprove a reforma. Com as negociatas e promessas eleitorais Temer espera encontrar com líderes do partido amanhã (6) para avaliar o real potencial de votos. A avaliação do governo golpista é que com o aval da Câmara a aprovação no Senado possa acontecer rapidamente.

Na segunda-feira (4), Rodrigo Maia acenou que a votação do texto da reforma ainda este mês é “realista”. Segundo ele, o grupo de líderes com quem se reuniu no domingo calcula ter entre 325 e 330 deputados a favor da reforma.

“Vai dar uns 330 (deputados a favor da reforma). Alguns foram excluídos da nossa conta, porque estão com posição contrária. Então, a gente tem, dentro dos partidos que apoiam a reforma, a princípio, 325 votos. E tem mais 45, 50 deputados, de outros partidos, que não estão na oposição, mas também não estão na base (do governo).”

O presidente da Câmara que se dizia um pouco pessimista sobre a votação da Reforma da Previdência diz estar mais otimista após a reunião com aliados (golpistas) no último domingo.

“Eu espero que sim (que a reforma seja votada na semana que vem), estou realista. Não dá ainda para ser otimista, mas no sábado eu estava pessimista. Com as reuniões de domingo, estou realista, acho que temos um caminho.”

O Ministro – golpista – da Fazenda, Henrique Meirelles, em evento ontem (4) no Rio também ressaltou como “extremamente positivas” as reuniões com a base aliada e seguiu “e é importante que o próximo presidente a assumir não tenha esse enorme desafio que é enfrentar uma reforma da Previdência”.

Em nota, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, também manifestou apoio à reforma da Previdência e orientou seus parlamentares a votarem a favor da proposta. “A Executiva Nacional do PTB, de forma clara, correta e bem intencionada, orienta os deputados federais e senadores do partido a votarem pela aprovação da proposta”, diz Jefferson na nota, divulgada na página oficial do partido.

Já o PSDB ainda não se manifestou sobre o fechamento de questão. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, defendeu posicionamento claro dos tucanos sobre o tema. Ele alega que o PSDB sempre defendeu as reformas – leia-se: ataques aos trabalhadores – e que não faria sentido se posicionar de forma diferente.

“Se não todos, a expectativa é a maioria dos partidos da base fechar questão. A expectativa é que o PSDB, que tem uma larga tradição de votar a favor das reformas e, particularmente, a da Previdência, também feche questão. Não creio que eles vão fugir dessa responsabilidade.”

A ofensiva do governo em aprovar a Reforma da Previdência, com jantares e promessas eleitorais, ainda nesse ano, é a prova de que não podemos esperar um recuo por parte dos golpistas na aprovação de mais um ataque contra os trabalhadores. Qualquer possibilidade – real – de derrotar a reforma só pode vir das ruas e da luta de classes utilizando os métodos de luta da classe trabalhadora para derrotar mais esse ataque.




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