Política

CRISE DOS COMBUSTÍVEIS

Temer, junto a Márcio França, avaliam conceder mais subsídios aos empresários dos transportes

Maria Eliza

Estudante de Ciências Biológicas na UFMG

terça-feira 29 de maio| Edição do dia

Imagem: Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo

Depois de ter anunciado cinco medidas para responder a parte da demanda da greve dos caminhoneiros no último domingo, o golpista Temer esteve ontem no Palácio dos Bandeirantes em reunião com o governador de SP, Márcio França (PSB), para discutir novas concessões ao movimento de caminhoneiros, dentre elas o desconto de R$0,46 no diesel desde quando esse combustível estava a R$3,99, e não a partir de quando chegou a R$4,10.

Com o acordo firmado por Temer com a direção da greve de caminhoneiros os bloqueios das estradas começaram a ser desfeitos e o fluxo de mercadorias voltou a acontecer. Mesmo assim, na noite de ontem, Temer se reuniu com o governador de São Paulo para discutir mais três exigências da patronal, que são uma tabela clara sobre os fretes, que sejam excluídas multas e punições na carteira dos motoristas durante o período da greve e que o governo fixe o valor do desconto na bomba em todo o país. Sobre essa última reivindicação, a exigência é que o desconto de R$0,46 no diesel oferecido pelo golpista deve valer a partir de antes de a greve começar, uma semana antes do que tinha sido acordado.

Essa greve, que não teve pautas populares, e sim patronais, assim como a direção, também não teve conquistas progressistas. Pelo contrário, os subsídios estatais aos lucros dos empresários dos transportes, a isenção de impostos e os descontos serão pagos pela maioria da população, já que esses acordos custarão, somente ao PIS/Cofins (imposto revertido em saúde e seguro desemprego), 10 milhões. A greve não conquistou, e mal chegou a pautar, a redução no preço da gasolina e do gás de cozinha, por exemplo, que tendem a manter altos preços.

Veja: Caminhoneiros aceitam acordo de Temer que aumenta subsídios aos patrões

Além disso foi um movimento de caráter reacionário, que além da direção e pautas anti-populares, serviu para que o “verde-amarelo” dos tempos do golpe de 2016 fosse visto novamente, com muitos pedidos de intervenção militar (!). O PT é responsável por abrir caminho para que os patrões capitalizassem à direita a revolta popular, pois depois de tantas traições de processos de lutas em que os trabalhadores entraram em cena, chegando a quase derrubar Temer em 28 de Abril do ano passado se não fosse o boicote da CUT e das demais centrais sindicais, um movimento reacionário atrai olhares de amplos setores que procuram uma resposta que ainda não foi dada à esquerda. Tampouco será à direita, esse movimento não merece o mínimo apoio.

A redução do preço dos combustíveis sem que essa redução seja descontada em mais precarização dos serviços pros trabalhadores e para o povo, só pode ser conquistada com uma Petrobrás 100% pública, o que não passa pelos objetivos nem de Temer e nem da patronal que comandou a greve. Por isso, a greve dos petroleiros, que começa amanhã e que é muito importante, deveria se opor claramente aos empresários do transporte, e não confluir como se as reivindicações pudessem se conciliar.




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