Política

PETROBRAS NA MIRA

Temer inicia privatização da Petrobras com venda de unidades no Rio e Ceará

Nessa terça feira a Petrobras anunciou que vai abrir processo de privatização com a venda dos terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Rio de Janeiro e no Ceará, bem como das usinas termelétricas associadas aos terminais. Esta venda acelerada com Temer já estava prevista no “plano de desinvestimentos” feito por Bendine enquanto Dilma governava.

Fernanda Inês

São Paulo

terça-feira 7 de junho de 2016| Edição do dia

O nome da estatal que costumeiramente aparece na capa dos jornais envolvida em escândalos de corrupção, dessa vez, aparece como resultado da política podre do executivo, o avanço do processo de privatização, iniciado com Dilma, acelerado com Temer.

Os terminais anunciados a serem vendidos têm a vantagem para os empresários compradores, pois tem uma receita fixa, sendo assim uma “joia da coroa” da privatização. A estatal é a maior operadora de termelétricas do país, com cerca de 6 gigawatts em capacidade instalada em operação. Por lei as termelétricas, sendo utilizadas ou não, são remuneradas pelas empresas elétricas (que por sua vez cobram dos consumidores). Ou seja, quem comprar terá receita fixa. E milionária.

O processo de privatização da estatal faz parte das medidas de ajuste do governo golpista, que não só atacam a classe trabalhadora que com luta conquistou direitos e condições de trabalho, que serão retiradas para aumentar o lucro dos empresários compradores, como é a entrega das riquezas nacionais, os dois locais a serem privatizadas garantem a energia elétrica de parte do Rio de Janeiro e Ceará.

Estes terminais e termelétricas colocados a venda no dia de hoje já faziam parte do plano de privatizações traçado pelo ex-presidente “dilmista” da estatal, Bendine.

O terminal de GNL na Baía de Guanabara tem capacidade de re-gaseificação de 20 milhões de m³/dia e atende a demanda por gás de termelétricas na região. O terminal em Pecém, no Ceará, que fornece o insumo para as usinas Termo Ceará e Termo Fortaleza, tem capacidade de 7 milhões de m³/dia.

A “venda casada” dos terminais e das termelétricas oferece um ótimo negócio aos compradores, pois permite a importação de gás e assim não dependem da Petrobras, bem como tem a receita fixa arrancada de todos consumidores de energia elétrica.

A Petrobras afirma que, até o momento, não há qualquer acordo firmado sobre a venda dos terminais de GNL, porém trabalhadores das unidades relatam a meses como elas tem sido visitadas por numerosos estrangeiros.

A política de privatização é parte do plano de governo e deve seguir possivelmente afetando outros terminais e áreas da estatal. Ironicamente, o novo presidente da petroleira, Pedro Parente, afirmou que os desinvestimentos "são fundamentais" para a companhia, que não prevê no momento contar com socorro financeiro do governo brasileiro, o que parece uma brincadeira de mal gosto, posto os milhões desviados por esses mesmos políticos, para interesses privados.

As riquezas da Petrobras devem servir aos interesses da população, dos trabalhadores e jovens que hoje sofrem com o desemprego e os cortes na saúde e educação, além da inflação que come o salário. A luta contra a privatização da Petrobras é confluente a batalha contra o governo golpista e contra os ajustes.

Para derrotar esta privatização será necessário derrotar a conivência de Lula e do PT que falam contra as privatizações mas não mobilizam efetivamente, fazendo com que as paralisações do dia 10 de junho, sejam rotineiras, onde ocorrerem. É necessário um plano de guerra para derrotar estes ataques iniciados com Dilma e agora acelerados com Temer. É preciso que os trabalhadores, em primeiro lugar os petroleiros superem os planos rotineiros de paralisações que não afetam a produção como propõem a FUP e a CUT e iniciem um plano de guerra contra as privatizações, começando neste dia 10 de junho, dia que elegeram como dia de luta contra o golpista Temer e seus ataques.

Não à mudança da lei do pré-sal (acordo Dilma-Renan-Serra)! Não à privatização! Abaixo o governo golpista de Temer. Impor pela luta uma Constituinte que garanta, entre outras medidas que as riquezas nacionais sejam controladas pelos trabalhadores.




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