Política

TEMER 15M

Temer ignora as ruas e afirma que acabar com a sua aposentadoria é uma “medida popular”

Ítalo Gimenes

Campinas

quarta-feira 15 de março| Edição do dia

Pareceu uma provocação aos milhões de trabalhadores e jovens que saíram às ruas no dia de hoje contra as reformas da Previdência e Trabalhista, quando Temer disse que "a sociedade brasileira, pouco a pouco, vai entendendo que é preciso dar apoio a este caminho para colocar o país nos trilhos”.

São em torno de 22 capitais e inúmeras outras cidades que tiveram algum tipo de paralisação nos locais de trabalho, escolas, atos de rua (alguns massivos) nesse dia 15, com grande apoio popular a essas manifestações. No metrô de São Paulo, onde os trabalhadores declararam greve de 24h, a população que mais sente impacto da paralisação do transporte público demonstrou muita solidariedade à mobilização dos metroviários, expressando acordo com a necessidade de barrar a absurda Reforma da Previdência. Esse dia nacional de paralisação provou a capacidade dos trabalhadores, se organizados, vencerem a luta contra quaisquer ataques de Temer.

Apesar disso, Temer parece fingir que não vê tamanha desaprovação e insiste em um discurso insano de que a Reforma da Previdência é uma “medida popular”, pois supostamente é uma medida que irá “salvar a Previdência Social do colapso”

Tais declarações de Temer se deram na presença dos seus colegas empresários, o que nos ajuda a entender a insanidade do discurso do presidente golpista. Somente na lógica de quem enxerga a solução crise de maneira unilateral e linear, como algo a ser descontado dos serviços básicos e dos direitos dos trabalhadores, como do direito à aposentadoria, é que é possível que um ataque sem tamanho a esse direito, que na prática impedirá que milhares se aposentem, possa ser propagandeado como algo “popular”.

Mas Temer não é um inocente (ainda que cínico), pois sabe muito bem que os maiores gastos do país na realidade são com a dívida pública, que é de onde os banqueiros tiram seus lucros intocáveis, por isso é tão importante para Temer cortar direitos sociais para pagá-la. Ao mesmo tempo, os empresários querem poder explorar mais o trabalhador, fazer ele trabalhar mais tempo por dia, mais anos, com menos direitos e com menos salários, pois sua taxa de lucro também não pode cair e os direitos dos trabalhadores "atrapalham" essa sede dos burgueses. Os trabalhadores não são bobos, como pensa Temer, para cair nessa sua ladainha, que é na realidade uma afronta a ser dita num dia como o de hoje.

Porém, Temer já sinaliza que a proposta original da Reforma da Previdência poderá ter “uma ou outra adaptação”. Ainda que ainda modesta, expressa que Temer não pode ignorar por completo as dezenas de ações contra esse projeto. Esse modesto sinal de recuo, assim como as baboseiras ditas pelo presidente golpista, expressam também o quão demorado foi para as burocracias sindicais ligadas ao PT, a CUT e a CTB, cederem à pressão dos trabalhadores e começarem a construir uma mobilização contra essa e outras reformas. A grande adesão à paralisação, o apoio popular que se sentiu nela e a grande participação em atos históricos em várias cidades mostram a disposição de luta dos trabalhadores para derrotar esses ataques. Para isso é necessário impor às burocracias sindicais um verdadeiro plano de lutas para a construção de uma greve geral ainda esse mês, só assim derrotaremos os ataques de Temer, do Congresso e dos capitalistas.

(Com informações da Folha de São Paulo)




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