Sociedade

EXÉRCITO NO RIO DE JANEIRO

Temer gasta 158% a mais com propaganda da repressão do Exército no Rio do que com as tropas

Calcula-se que o governo federal gastou 158% a mais com propaganda para divulgar as ações das Forças Armadas no Estado do Rio de Janeiro, denominada Garantia de Lei e Ordem (GLO), do que com as próprias ações das tropas.

sexta-feira 27 de outubro| Edição do dia

(FOTO: Leo Correa/AP)

Uma operação para "inglês ver" o governo garantindo a lei e a ordem do governo Pezão em aliança com Temer através da violenta repressão, com assassinatos, invasões e "balas perdidas". Uma demonstração física de que o governo quer despejar a crise sobre os trabalhadores e a juventude, em especial os negros e negras.

Segundo o portal de notícias UOL, até agosto foram gastos R$4.004.000 em propagandas de TV e em “mídia exterior eletrônica”. A divulgação da ação com o slogan “O Rio quer Segurança e Paz”, quando na prática significa mortes de moradores na favela da Rocinha e repressão a população negra, foi veiculada no Rio, em São Paulo e Brasília entre os dias 1 e 17 de agosto, segundo o governo.

Desde o começo da ação, autorizada pelo presidente Michel Temer no final de julho deste ano, foram gastos R$1.551.849,81 em operações e manutenção de cerca de 8,5 mil agentes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha.

Do total da quantia destinada à propaganda, R$904 mil vieram da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República e R$3,1 milhões do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário.

A operação segue até 31 de dezembro quando deverá ser renovada até o final de 2018. Até o final do ano, estão previstos R$6.977.391,20 sua manutenção, destinados a diárias e passagens, “material para emprego” e serviços de apoio à operação.

(FOTO: Leo Correa / AP)

Os enormes gastos com propaganda revelam o esforço dos governos em convencer a população do Rio e em especial das favelas de que a polícia efetivamente combate o crime, com a velha desculpa de “Guerra às drogas”, quando a maior parte dos moradores sentem na pele que na verdade a violência no Estado só aumenta. Ao mesmo tempo, é uma demonstração de forças do aparato repressivo do Estado que ameaça se voltar contra a mobilização dos trabalhadores, como ocorreu em Brasília no dia 24 de maio. As operações têm causado diversas mortes por “balas perdidas”, atingindo a população das favelas e até uma turista no início da semana.

Pesquisa do Datafolha revela que 72% dos moradores do Rio de Janeiro deixariam a cidade se pudessem por causa da violência. 67% ouviram um tiro recentemente, um terço mudou sua rotina e presenciou pelo menos um disparo. Não bastasse isso, pesquisas mostram que esse tipo de ação, usada há anos, não diminui a violência.

As Forças Armadas interviram 12 vezes no Rio de Janeiro na última década por pedido formal do governo do Estado. Nos últimos 12 meses, isso ocorreu em quatro momentos: durante as Olimpíadas em agosto de 2016, nas eleições em outubro de 2016, na votação do pacote de austeridade na Assembleia Legislativa, em fevereiro de 2017 e agora. Não por mera coincidência, em todos os casos foi para garantir o lucro de grandes empresas e/ou a estabilidade dos governos para aplicar os ajustes.
Apesar do governo tentar fazer parecer que estas são medidas extraordinárias, a autorização para a intervenção do Exército com poder de polícia no Rio de Janeiro apenas intensifica a repressão e as mortes pelas mãos da polícia que no Estado são rotina. Só nos primeiros 8 meses desse ano a Polícia do Rio de Janeiro assassinou 3 pessoas por dia, um total de 712 pessoas ou 29,6% a mais de mortes do que no mesmo período do ano de 2016, nos quais todos os policiais puderam responder em liberdade cumprindo funções administrativas, ou seja, não foram punidos.




Tópicos relacionados

Exército   /    Governo Temer   /    Sociedade   /    Violência Policial

Comentários

Comentar