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Temer garante bilhões em subsídios aos patrões do transporte

Em pronunciamento à nação, o presidente golpista Michel Temer anunciou cinco medidas para tentar chegar a um acordo com o movimento de caminhoneiros que se iniciou na quarta-feira (23/05). As medidas propostas pelo governo incorporam grande parte das reivindicações e fazem os trabalhadores pagarem a conta dessa mobilização que em nada defende interesses das massas.

Leticia Parks

São Paulo

domingo 27 de maio| Edição do dia

Em pronunciamento à nação, o presidente golpista Michel Temer anunciou cinco medidas para tentar chegar a um acordo com o movimento de caminhoneiros que se iniciou na quarta-feira (23/05). As medidas propostas pelo governo incorporam grande parte das reivindicações.

São elas a redução imediata do valor do litro do diesel em R$0,46; a isenção de pedágio para eixos suspensos; a garantia de 30% do frete da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) aos autônomos; o fim da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e tabela mínima para os fretes.

Apesar do discurso demagógico da direção desse movimento, que se dizia portadora da reivindicação de redução dos combustíveis, o que se comprova com o acordo e com o sentido geral do programa que levantam é que o interesse está retido no que diz respeito às necessidades de lucro de transportadoras e empresas de logística.

As isenções de impostos vão retirar recursos profundamente necessários para qualquer trabalhador, como o seguro desemprego e a saúde pública, que recebem recursos diretos do PIS/COFINS, de onde vai sair boa parte do subsídio no combustível para os empresários e capitalistas do transporte de carga no Brasil.

Os trabalhadores seguirão pagando os custos dos subsídios aos patrões, além de sofrer diretamente os impactos da retirada dos recursos que deixarão de ser recolhidos com as isenções concedidas às patronais. Além de muitos outros impactos ainda a serem calculados de perdas do orçamento público. Os valores que saem do diesel não vão vir dos lucros dos acionistas privados da Petrobras ou das empresas privadas de combustível que vendem no Brasil. São valores que saem de isenções bilionárias, que podem chegar a retirar R$10 bilhões do seguro-desemprego e da saúde pública, pela via de redução de recolhimento do PIS/COFINS. Esses valores serão, mais uma vez, destinados a favorecer essas empresas que dirigiram o movimento de caminhoneiros.

Outro efeito, que ainda está por ser medido, é de qual o impacto que terá sobre a política nacional o fato de que a maior contestação contra Temer se deu à direita e pela via deste movimento. As direções patronais que estiveram à frente dele fizeram questão de afirmar seu apoio a Bolsonaro, além de outros elementos políticos reacionários, que se demonstraram pelas faixas e vídeos de caminhoneiros que pediam intervenção militar. A própria GLO, aprovada por Temer para garantir a distribuição de combustíveis em meio a mobilização, certamente poderá ser uma carta na manga do governo para acirrar ainda mais a escalada repressiva contra os trabalhadores.

Reafirmamos a necessidade de separar, como óleo e água, esse movimento de direções patronais e de direita, do que deve ser a mobilização independente dos trabalhadores, a única capaz de conquistar uma Petrobras 100% estatal, sob administração dos trabalhadores petroleiros e gestão popular. Apenas uma Petrobras que funcione dessa maneira, sem os acionistas imperialistas que controlam boa parte de suas ações, poderá ser portadora das necessidades reais de redução de custo de todos os combustíveis, incluindo a gasolina e o gás de cozinha, que não serão afetados por esse novo acordo e jamais foram programa desse movimento de caminhoneiros.

Neste outro artigo desenvolvemos também o papel nefasto que a imobilização PTista e CUTista cumpriram em criar um enorme vazio na direção dessa insatisfação nas massas, que foi assim facilmente ocupado pela direita. Esse debate se torna ainda mais urgente, assim como o fortalecimento de uma saída antiimperialista e anticapitalista, que possa dar uma resposta de fundo para a crise dos combustíveis e o conjunto da crise econômica no país, que tem necessariamente que passar por uma política independente dos trabalhadores, sem qualquer confiança em nenhuma direção patronal, e na decisão de expulsar definitivamente as rapinas imperialistas das riquezas nacionais.




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