Política

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

Temer escolhe Raquel Dodge, segunda colocada na lista tríplice para a sucessão de Janot

O porta-voz do presidente Michel Temer, Alexandre Parola, anunciou nesta quarta-feira, 28, que Temer escolheu para a sucessão de Rodrigo Janot a subprocuradora Raquel Dodge para o cargo de procurador-geral da República, segunda colocada da lista tríplice da eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da república (ANPR).

quinta-feira 29 de junho| Edição do dia

Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo

Os procuradores, em todo País, elegeram na terça-feira, 27, os subprocuradores-gerais da República Nicolao Dino, Raquel Dodge e Mario Bonsaglia, pela ordem, para a lista tríplice. Nicolao teve 621 votos, Raquel, 587, e Mário, 564. A Constituição confere ao presidente a prerrogativa de escolher o chefe do Ministério Público Federal. O presidente não é obrigado a seguir nenhuma indicação da lista.

Em um curto pronunciamento feito às pressas a pedido do presidente, Parola fez o anúncio e se limitou a dizer que Raquel "é a primeira mulher a ser nomeada para a Procuradoria-Geral da República". A indicação foi formalizada em Diário Oficial nessa quinta, 29. Raquel Dodge não é alinhada ao atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Temer se reuniu na noite de ontem, 28, com Raquel em seu gabinete. O presidente golpista recebeu a lista tríplice ontem das mãos do presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti. Aliados garantiam que Temer faria a escolha logo, respeitaria a lista, mas descartaria o primeiro colocado Nicolao Dino, por sua proximidade com Janot.

A tradição de formação da lista tríplice iniciou-se em 2001. Segundo a ANPR, "trata-se de um processo que atende ao clamor dos procuradores da República de indicar aquele que acreditam ser o mais preparado para gerir a instituição". De 2001 até agora, a lista tríplice para o cargo de Procurador-Geral da República só não foi acatada em sua primeira edição. A partir de 2003, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, passou a reconhecer e prestigiar a escolha dos procuradores da República para o cargo de chefe do órgão.

Agora novamente, pela segunda vez, Temer quebra a tradição e não acata a escolha dos procuradores e escolheu a segunda colocada, por ela não ser alinhada à Rodrigo Janot, atual procurador-geral da república que no início da semana apresentou denúncia contra Temer por corrupção passiva, sendo a primeira vez que um presidente em exercício é denunciado para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A indicação da subprocuradora foi discutida anteontem à noite em um jantar na casa do ministro do STF Gilmar Mendes. Além de Temer, estavam no encontro os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil). Fora da agenda oficial, o jantar teria sido marcado para discutir a reforma política.

Depois de encontrar Temer, ela esteve com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), alvo de inquérito na Operação Lava Jato. Em reunião de pouco mais de uma hora, o peemedebista disse que, logo após receber a comunicação do Planalto, vai encaminhar o nome de Raquel à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

A indicação será submetida a uma sabatina no Senado. Se for aprovada, ela assumirá o mandato por dois anos. Ao contrário de Janot, a escolhida de Temer mantém boas relações com Gilmar, crítico recorrente dos métodos do MPF na Lava Jato. Nas últimas semanas, Raquel vinha recebendo nos bastidores apoio de caciques do PMDB.

Com informações da Agência Estado.




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