GOVERNO BOLSONARO

Temer entrega a faixa para Bolsonaro e golpe institucional é consolidado

Não faltaram sorrisos mútuos, o programa também é. Aumento das privatizações e especialmente da reforma da Previdência.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

terça-feira 1º de janeiro| Edição do dia

Com largos sorrisos mútuos, Michel Temer passou a faixa presidencial para Jair Bolsonaro, com esse gesto simbólico o golpe institucional é consolidado. Temer subiu ao poder com um golpe envolvendo o judiciário, a mídia e o parlamento para levar adiante ataques maiores e mais profundos do que aqueles que o PT já vinha fazendo. Bolsonaro venceu uma eleição manipulada pelo judiciário com o apoio dos militares, marcada pelo impedimento da população votar em quem quiser e pela prisão arbitrária de Lula.

Bolsonaro é a continuidade de Temer, desta vez, com a Lava Jato e Sérgio Moro ocupando um superministério. Contando com uma presença militar nos ministérios como não se via há décadas, nem os ditadores Geisel e Médici tiveram tantos generais. Bolsonaro é uma espécie de Temer blindado com a missão de atacar nossos direitos e mudar a correlação de forças.

Bolsonaro assumiu a presidência em uma Brasília militarizada e com um público presente bastante inferior às imensas expectativas de seu governo e da mídia. Gostariam de mostrar a força de um “mandato popular” para aprovar Reforma da Previdência.

Isso não significa que Bolsonaro começa enfraquecido. A continuidade do golpe foi realizada para tentar mudar a correlação de forças em nosso país e em todo continente. Buscam retirar o nosso direito de se aposentar, entregar as riquezas nacionais ao imperialismo com as privatizações, atacando e precarizando ainda mais todos direitos sociais, como a saúde, educação, entre outros. É para essa missão que a burguesia tanto trabalhou para ele fosse eleito.

Um discurso reacionário

No discurso feito ao público, Bolsonaro foi mais reacionário do que já tinha sido no Congresso. Lá, limitou-se à falar da Constituição e à atacar os professores e as “ideologias”, buscando calar a voz desta importante camada da classe trabalhadora para que ela não possa cumprir um papel de vanguarda na luta contra os ataques. Veja a resposta de Maíra Machado a esse discurso.

No púlpito, Bolsonaro retomou o ataque aos professores em referência ao Escola Sem Partido; ofereceu um agrado aos ruralistas que tanto lhe apoiaram ao falar da “defesa da propriedade” e, entre diversos reacionarismos sobre direitos humanos, prometeu que "nossa bandeira jamais será vermelha, a não ser que seja manchada por nosso sangue para mantê-la verde e amarela”. No mesmo discurso, atribuiu sua vitória ao dia em que “o povo se libertou do socialismo, do politicamente correto.” Inclusive, fez um chamado a “construir um movimento pela ética e valores morais”.

O politicamente correto que ele se refere e quer acabar é o “direito” dele, das igrejas, e de toda a direita a propagar um discurso para alimentar violência patriarcal e homofóbica. Esse discurso visando agradar e manter mobilzada sua base mais militante terá que se mediar diante dos condicionantes que o judiciário, o Congresso e outros atores colocam a seu mandato, e especialmente frente a condicionantes postos pela luta de classes, visto que a maioria de seus votantes não votaram desejando a Reforma da Previdência, principal proposta de seu governo.

Como enfrentar Bolsonaro?

Para enfrenta-lo é urgente organizar, nos locais de trabalho e estudo, assembleias e organização pela base dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos negros e dos LGBT’s para impor às direções dos sindicatos que rompam com a “paz social” que estão oferecendo a Bolsonaro. Diferente do que disse Vagner Freitas, presidente da CUT, quando oferece uma oposição “propositiva” para negociar uma outra Reforma da Previdência. Ainda mais escandalosas são as posições de Ciro em jornais, televisões, e do seu partido (PDT) que não só quer negociar os direitos dos trabalhadores como quer legitimar o governo eleito.

Essa oposição da CUT escancara qual é a verdadeira política do PT, organiza um boicote à cerimônia de posse junto aos parlamentares do PCdoB e do PSOL mas está disposta a deixar passos os ataques e aguardar 2022. O PSOL aparece à esquerda do PT, no entanto compartilha o essencial do mesmo programa e mais importante, não oferece um contraponto a estratégia de aguardar as eleições e confiar nas instituições do regime.

Precisamos organizar a luta dos trabalhadores em cada local de trabalho e estudo para impor um urgente plano de luta e tirar lições de como a estratégia do PT de confiança neste regime golpista, em seu judiciário, e na conciliação com a direita e os empresário só pode nos conduzir a derrotas, precisamos confiar nas forças da classe trabalhadora e todos oprimidos, para tal como fizeram os franceses impor uma derrota ao governo de ultradireita que assumiu hoje.




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