Política

CRISE COMBUSTÍVEIS

Temer, empresários, e os trabalhadores: o que cada um quer na crise dos combustíveis?

André Acier

Natal | @AcierAndy

quinta-feira 24 de maio| Edição do dia

O que quer o governo golpista de Temer?

Temer alterou a política de reajuste do preço dos combustíveis: agora, o preço flutuará de acordo com o movimento dos mercados e a cotação do dólar. Esta era uma exigência das grandes petroleiras estadunidenses, como a ExxonMobil e a Chevron, a anglo-holandesa Shell e a francesa Total, para poder entrar no Brasil. Com isso, Temer e Pedro Parente, presidente da Petrobras, buscam a toda velocidade preparar a privatização da Petrobras, o que significará a piora dos serviços e um custo cada vez mais alto para o consumidor. O aumento de impostos e do preço dos combustíveis tem como objetivo conseguir mais subsídios, agravando o ônus sobre quem paga pelo gás de cozinha, pela gasolina e outros derivados do petróleo: a população trabalhadora e pobre.

O que quer a patronal dos transportes?

Utilizando a paralisação dos caminhoneiros (obrigando-os a parar inclusive com chantagem), as grandes patronais do transporte, da logística e do comércio de veículos pesados querem exclusivamente dois pontos: reduzir o preço do óleo Diesel e aumentar os subsídios públicos aos seus lucros. Estas federações patronais não estão preocupadas com o aumento dos preços da gasolina e do gás de cozinha, que afeta dezenas de milhões de pessoas, ou com as péssimas condições de trabalho dos caminhoneiros. Como diz a Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes), "muitos postos estão perdendo fôlego" em investimentos. Junto à Confederação da Agricultura e Pecuária, a patronal do campo, estes empresários do transporte usam os bloqueios como chantagem para negociar seus subsídios e a fatia de lucro com o governo golpista, que apoiaram desde o golpe institucional de 2016.

A simpatia gerada pela demanda da redução do preço dos combustíveis é legítima porque afeta a vida da maioria da classe trabalhadora. Mas é preciso concluir que, junto aos patrões, essa demanda não será levada até o final. Precisamos lutar com independência de classe frente à atuação da patronal agrícola e do transporte, que quer expropriar nossas demandas em função de mais subsídios para si mesma em acordo com Temer.

O PT é uma alternativa para frear o aumento dos combustíveis?

Os petistas dizem em suas declarações, “No governo do PT o preço não era tão alto”. Em si mesma, essa afirmação já se poderia contestar de múltiplos ângulos. Mas o essencial é que os 13 anos de governo do PT colocaram o preço dos combustíveis nas mãos dos grandes acionistas da Petrobras, submeteu a empresa ao capital estrangeiro e com a corrupção que o PT assimilou da direita, infestou a Petrobras de burocratas sindicais e administradores corruptos que usurparam bilhões de reais que deveriam ter sido investidos nos serviços públicos. Fazendo isso, abriu caminho à direita golpista que hoje quer privatizar a Petrobras.

É mentira que o PT poderia resolver o problema da alta os preços do combustível a serviço da população. Não se trata de porcentagens maiores ou menores do preço já exorbitante da gasolina e do gás, mesmo na década anterior. O principal é que durante seus 13 anos de governo, Lula e Dilma mantiveram a Petrobras refém do saque estrangeiro e de sua própria corrupção, que levou ao golpe institucional e à reacionária Lava Jato, cujo objetivo é entregar nossos recursos petrolíferos ao capital imperialista.

O que devemos fazer então para barrar o ataque de Temer?

O único caminho para começar a redução imediata dos preços de todos os combustíveis sem aumento de impostos a ser pagos pela população é com uma Petrobras 100% estatal expulsando os lobistas, acionistas e burocratas que trabalham junto com o capital internacional imperialista para; além disso, é fundamental que junto com a estatização, a Petrobras funcione sob controle e administração dos trabalhadores, colocando os interesses de toda a população à frente, oferecendo serviços baratos e impedindo o sequestro de nossas riquezas pelo imperialismo.

As centrais sindicais, a CUT e CTB em primeiro lugar, precisam romper seu imobilismo frente aos ataques de Temer, e encabeçar a mobilização para anular o aumento do preço dos combustíveis. É urgente que convoquem um plano de luta sério que comece com uma forte paralisação nacional, para que os trabalhadores se auto-organizem em seus locais de trabalho e entrem na cena política nacional com independência de classe e se mobilizem sem patrões.

A CSP-Conlutas, ao contrário de apoiar acriticamente a paralisação, deveria batalhar para incentivar a mais profunda desconfiança dos trabalhadores frente aos interesses dos patrões do transporte e lutar contra o ajuste nos preços com uma política de independência de classe, fazendo um chamado de ação comum por objetivos práticos de luta às bases da CUT e da CTB.




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