Política

CRISE NO GOVERNO

Temer em coletiva de imprensa: manobras para esconder a crise no caso Calero-Geddel

Depois das denúncias do ex-ministro da Cultura Calero, e demissão do secretário de governo Geddel Vieira, Temer convocou uma coletiva de imprensa neste domingo tentando esconder a crise. Nela abordou a crise com Calero e Geddel, a crise aberta pela votação do caixa dois no Congresso e ainda a agenda de ataques. Buscando mostrar força e institucionalidade deu a coletiva ladeado dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

domingo 27 de novembro| Edição do dia

Temer havia afirmado que iria procurar um substituto a seu braço direito Geddel que fosse “ilibado”. Talvez por falta de um nome com esse atributo, resolveu ele mesmo assumir (ilibado ou não) a função de articulador político como declarou na coletiva.

Temer mostra que está debilitado. Procurou mostrar que ainda tem força trazendo para seu lado dois políticos igualmente denunciados por corrupção como ele. Setores da mídia, como Clóvis Rossi, Hélio Schwartsman e a Vejam começam a articular posições mais ou menos explícitas pela renúncia do presidente golpista argumentando que ele não teria mais legitimidade para conduzir os ajustes que eles defendem. Ataques às nossas aposentadorias, direitos trabalhistas e a educação e saúde por mais de 20 anos com a PEC 241/55.

Na coletiva Temer procurou demagogicamente mostrar que fará todo o oposto do que ele tem feito. Falou que dialogará com sindicatos sobre os ataques, que será transparente nas conversas e que de agora em diante gravará todos os diálogos bem como estaria comprometido a combater a corrupção retirando da votação a anistia ao caixa dois.

A cara de pau de Temer e de Renan, sobretudo do segundo que teve gravações junto com outro braço direito do presidente golpista, Jucá, onde explicitamente dizem que querem anistiar todos corruptos e que para isso estava o impeachment, agora negam a proposta. Essa cara de pau só é comparável a mesma cara de pau que Temer, Meirelles e outros, dizem que os ajustes são em prol dos trabalhadores brasileiros. O desemprego cresce, atingindo sobretudo as mulheres, os negros, os jovens e enquanto isso aumenta o número de milionários. Os ajustes são para aumentar os lucros, privatizar.

A crise do governo é grande. Poderá Temer realizar os ajustes que os empresários querem? Se não conseguir embarcarão na sua destituição?

O judiciário que atua com sua notória arbitrariedade, tinha defendido na figura do procurador chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol a anistia ao caixa dois desde que não atingisse “crimes correlatos”, conseguiu fazer pressão na opinião pública para jogar a culpa da anistia aos corruptos na conta so PMDB e Temer.

Sob a ameaça da lista de corruptos que sairá na delação da Odebrecht o judiciário poderá arbitrar ainda mais quem ele quer salvar quem ele quer punir.

Em comum a grande mídia, os empresários e o judiciário todos querem os ajustes que Temer implementa, continuando e agravando o que Dilma e o PT iniciaram. Atuarão para tirar Temer quando ele perder sua utilidade para esses ajustes.

Frente a esse cenário os trabalhadores não podem confiar novamente que será essa corja de corruptos e reacionários do Congresso que devem decidir quem governe. O impeachment de Temer, como proposto pelo PT e pelos parlamentares do PSOL, significa duplamente colocar nas mãos do Congreso os rumos do país, tirariam Temer e ainda escolheriam o novo presidente. Novas eleições, com as leis restritivas aos trabalhadores e à esquerda só podem favorecer a eleição de “milionários gestores” e reacionários.

Podemos dar uma resposta que seja independente do quer a Veja e outros setores da mídia que buscam a saída de Temer, que seja independente de Sérgio Moro e da Lava Jato. Diana Assunção, editora do Esquerda Diário afirmou em sua rede social:

"Nesse cenário não podemos ajudar a que esse congresso de corruptos decida os rumos do país elegendo o novo presidente. É justamente isso que a proposta de impeachment de Temer faz. O PT e o PSOL estão propondo essa saída. Uma saída que levará a eleger um novo ajustador. Podemos dar uma resposta independente, imposta pela mobilização, uma Nova Assembléia Constituinte que leve ao não pagamento da dívida pública, a impor que todos casos de corrupção sejam julgados por júri popular e não por juízes treinados nos EUA e um MPF que estava disposto a anistiar o caixa dois. Uma Constituinte que imponha o fim dos privilégios dos políticos e juízes e permita debater todos reivindicações sociais e políticas dos trabalhadores, contribuindo na experiência para superar esse regime de exploração, corrupção e opressão, o capitalismo."

Podemos impor com a força da mobilização uma nova constituinte que leve realmente confiscar os bens de todos corruptos, garantindo que não sejam os privilegiados juízes que julguem a corrupção mas juris populares, podemos acabar com os privilégios de todos políticos e juízes impondo que sejam todos eleitos, revogáveis e ganhem como uma professora. Podemos acabar com o roubo do orçamento público com a dívida que consome quase metade dos recursos, impondo seu não pagamento, acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal que estrangula a saúde, educação nos estados e municípios, e assim dar uma resposta que não é nos pagarmos a conta da crise como querem fazer com a PEC 241/55 e outras medidas. Podemos reverter as privatizações e garantir que os recursos naturais do país não sejam nem entregues ao imperialismo nem alvo de corrupção colocando todos serviços e empresas públicas sob o controle dos trabalhadores e usuários dos serviços.

Todas essas tarefas permitem não cair no jogo de tirar Temer para colocar um tucano ou qualquer outro ajustador no seu lugar. Para ter uma mobilização que imponha uma Nova Constituinte Livre e Soberana, é preciso acabar com a trégua que as burocracias sindicais dão a Temer não mobilizando nos dias “de luta”, isolando as ocupações estudantis da luta dos trabalhadores.

A crise econômica, social e política que vivemos exige erguer um programa radical, ou seja anticapitalista e revolucionário que parta da luta contra os ataques e contra os golpistas e à direita e aponte à superação do capitalismo. A derrota do PT é também uma derrota de sua estratégia de conciliar os interesses dos trabalhadores e dos empresários, da conciliação com a direita. Precisamos tirar lições para construir uma outra estratégia, revolucionária. Isso começa por não responder a essa crise com as mãos do congresso, do judiciário, da Veja, como seria o impeachment de Temer proposto pelo PT e pelo PSOL, para recompor o regime político e se oferecer como alternativa eleitoral. O PT abriu caminho à direita, seu retorno ao poder será a frustração do movimento para derrota-la. A luta por uma posição independente e contra a direita passa hoje por uma Nova Constituinte imposta pela luta.




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