Política

Temer e Moreira Franco: um caso de privatização

Após Temer assumir a cadeira da presidência com o golpe institucional, ele não esconde mais para o que veio. A reforma ministerial mais conservadora em décadas e as inúmeras promessas de privatização são as boas vindas de seu governo golpista.

quarta-feira 18 de maio de 2016| Edição do dia

A partilha dos ministérios e cadeiras de seu governo foi feita minuciosamente em agradar os protagonistas do golpe institucional e costurar um governo com os políticos mais conservadores e privatistas, muitos inclusive em débito com a lava-jato e sendo investigados por corrupção. Por outro lado o enxugamento das pastas ministeriais também demonstram um movimento de Temer em manter o foco em seus objetivos políticos, ao mesmo tempo eliminar toda e qualquer aresta que fuja de seus interesses e que poderiam tornar-se distrações ou dispersão de recursos.

Entretanto, esta reforma não necessariamente aponta em dar mais poder para os ministros, mas sim, pelo contrário, parecem ter como objetivo centralizar as ações estratégicas diretamente nas mãos de Temer e de seu novo braço direito, que sai dos bastidores do governo Dilma, para entrar em cena como secretário-executivo do Programa Crescer, Moreira Franco.

O Programa Crescer é o cavalo de batalha de Temer. Na mídia vem surgindo muitas dúvidas se será uma continuidade golpista do PAC petista, mas Temer garante que não, e de fato o teor privatista do Crescer supera em qualidade às injeções de dinheiro público na iniciativa privada e abertura de capital de Dilma/Lula. Na primeira semana do governo golpista de Temer, já é possível fazer uma lista de setores estratégicos e empresas estatais que serão alvo da privatização, entre estes estão os Correios, uma das maiores estatais brasileiras. Diferente da estratégia petistas de privatização pelas bordas, pela terceirização dos serviços, abertura do capital, falência conduzida das empresas públicas, precarização dos serviços, etc, os golpistas Temer e Moreira Franco não perdem tempo com delongas, teatros e meias palavras, vão direto ao ponto, a palavra de ordem é privatizar.

A privatização é um dos objetivos mais importantes do governo golpista, e não menos espinhoso, pois pode levar a insatisfação dos trabalhadores que trabalham ou utilizam o setor em questão, e evitar, e se precisar, se enfrentar com descontentamento popular, pode ser um desafio bastante árduo e que pode custar muito caro para Temer. Ou seja, Moreira Franco terá um papel chave em suas mãos como principal articulador nos projetos de concessões. E Temer o escolheu a dedo.

Moreira Franco é um político especialmente cínico em sua trajetória política. Inciou sua trajetória no grupo Ação Popular, que fazia oposição a ditadura militar, para tempos depois se eleger como deputado pelo MDB em 1974, ainda na ditadura, depois se filiar ao PDS em 1980 e ao final do regime militar apoiar Tancredo Neves e o PMDB. Foi assessor fervoroso de Fernando Henrique Cardoso e igualmente de Lula. E após ter sido duas vezes ministro de Dilma, passou a ser um dos articuladores do golpe institucional que a afastou a presidência. Este é o sujeito que está logo abaixo de Temer para coordenar as negociatas com os empresários e privatizar as estatais e serviços públicos.

Ainda que não seja nenhuma surpresa que o golpista Temer utilize de uma figura do "nipe" de Moreira Franco para ser seu secretário-executivo, trata-se de mais uma importante evidência do que pode se esperar deste governo. Tão pouco a centralização das decisões estratégicas de privatização é por acaso. Após os rumos do Brasil passar meses sendo escrito por canetadas nas esferas mais antidemocráticas do Estado, privatizar por canetadas de Temer e Moreira Franco em nome do Programa Crescer pode ser apenas mais um legado do golpe institucional.




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