Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Temer diz que "é fundamentar votar a reforma da Previdência ainda este ano"

O presidente Michel Temer fez mais um discurso público nesta terça-feira, 12, para tentar convencer a classe política, com o argumento de cobranças durante a campanha eleitoral, a aprovar ainda neste ano a reforma da Previdência.

terça-feira 12 de dezembro de 2017| Edição do dia

"É fundamental que votemos a reforma da Previdência ainda este ano", disse Temer durante cerimônia de lançamento do Plano Agro+ Integridade, no Palácio do Planalto.

A reforma da previdência é tão impopular que parte significativa dos congressistas está reticente quanto ao impacto que pode ter seu voto favorável a ela nas eleições de 2018. Mesmo que o discurso seja o de “modernização”, “eficiência”, a verdade é que, entre outras coisas, vai aumentar o tempo trabalhado para a concessão da aposentadoria, diminuir significativamente os valores dos benefícios concedidos e praticamente impossibilitar o acesso a esses benefícios em caso de doença. Os parlamentares sabem disso muito bem e isso fica evidente na dúvida e negativa de parte considerável desses políticos quanto a seu voto favorável, pois isso implica na opinião popular sobre seus partidos.

Temer, na tentativa de pressionar os congressistas, faz uma apelo cínico a estes, dizendo que o posicionamento deles quanto a aprovação da reforma vai ser ponto de pauta nas eleições, que serão pressionados por isso, já que o tema da previdência se mostrou tão importante.

Fica mais claro de onde viria essa pressão pela aprovação da reforma quando vemos o movimento das últimas semanas por parte do governo que priorizou em sua agenda política encontros regados a comida gourmet e bebida fina com empresários e associações de diversos setores da indústria e negócios onde buscou convencê-los a fazer pressão direta nos parlamentares.

Se por um lado há uma preocupação por parte dos políticos com as consequências que teriam o comprometimento destes com uma reforma tão impopular, pois poderia acarretar queda nos votos, por outro temer aposta na pressão por parte de seus aliados burgueses (empresários e ruralistas) para que influenciem esses parlamentares. Não estariam esses políticos preocupados, e essa seria a aposta do governo, com as verbas e doações para suas respectivas campanhas? Ou com as “caixinhas fartas” que recebem destes para fazer seus trabalho sujo no planalto?

Para a burguesia (leia-se aqui: empresários, ruralistas e políticos a mando dessa elite), dinheiro e poder falam mais alto. O cálculo complicado entre a popularidade necessária para serem eleitos e os rios de dinheiro que correm entre seus bolsos ainda não está fechado, e de acordo com o próprio governo a votação da maldita reforma corre grande risco de ficar para 2018 e aí, escorregar no ano eleitoral e ser retomada novamente sabe-se lá em que circunstâncias políticas somente no ano de 2019.

Uma janela de oportunidade para a classe trabalhadora

Esse impasse entre os poderosos, que claramente os enfraquece momentaneamente já que essa reforma tão unanimemente bradada por todos da elite brasileira e internacional está por hora paralisada pelo cálculo frio do lucro e poder capitalistas, se mantém como uma oportunidade para os trabalhadores se movimentarem e colocar de pé uma verdadeira luta contra a reforma. Dizemos verdadeira porque a depender das principais centrais sindicais do Brasil que organizam a maioria dos trabalhadores do país (CUT, CTB, Força Sindical etc), nenhuma luta de verdade se avizinha e dão tempo para as negociatas no congresso.

Os trabalhadores das bases dessas centrais devem exigir de seus dirigentes uma verdadeira luta contra as reformas, discutida nas bases de trabalho e decidida pelos trabalhadores para que a reforma da previdência seja derrotada e revoguemos a reforma trabalhista já aprovada.

Com informações do Agência Estado.




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