Política

MINISTÉRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA

Temer cogita ex-governador que autorizou o massacre do Carandiru para novo ministério

O governo de Michel Temer discutiu nesta quarta-feira (14) a criação do Ministério de Segurança Pública, ao qual pretende atribuir a Polícia Federal e desta forma diminuir as atribuições do Ministério da Justiça. Em reunião com ministros e comandantes das forças armadas, o presidente cogitou o nome de Luiz Antônio Fleury Filho, ex-governador de São Paulo que autorizou o massacre do Carandiru, no qual pelo menos 111 detentos foram assassinados em 2 de outubro de 1992 pelas mãos da Polícia Militar. Outro nome cogitado é do general Sergio Etchegoyen.

sexta-feira 16 de fevereiro| Edição do dia

A ideia é concentrar as polícias neste novo ministério e deixar o Ministério da Justiça com menos atribuições, entre as que se mantêm estão o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). Ao que tudo indica esta mudança tem em vista repensar as polícias, e ao julgar pelos nomes mencionados até então para comandar o ministério, o objetivo é torná-las mais repressivas. Para além de Fleury, outro nome apontado na discussão foi o de Gustavo Rocha, subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil e braço direito do golpista Temer, sendo um dos principais personagens que atuaram na defesa do presidente nas acusações feitas por Rodrigo Janot.

O novo ministério, ainda que esta informação não seja uma grande novidade, não tem o objetivo de ser justo, uma vez que ambos os nomes estão envolvidos em episódios notáveis nos quais seus interesses pesaram mais do que o que boa parte da população achava justo. Apesar disso, o nome de Fleury causa mais espanto e indignação por conta de seu envolvimento direto com a chacina do Carandiru.

O massacre do Carandiru, como é conhecido foi um episódio brutal e provavelmente um dos mais aterrorizantes da história penitenciária mundial. No dia 2 de outubro de 1992, após uma rebelião já controlada, no pavilhão 9 da Casa de Detenção da Zona Norte de São Paulo, a Polícia Militar, sob as ordens de Fleury, entrou nas dependências do prédio e fuzilou os detentos, sendo que 111 morreram. Apesar da versão da polícia, que alega ter havido confronto e que os presos não haviam se rendido, nenhum policial morreu e a perícia concluiu que havia indícios de extermínio. De todos os envolvidos no episódio apenas um policial foi condenado.




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