Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Temer bajula Doria buscando apoio à Reforma da Previdência

Em meio ao racha do PSDB, Temer distribui elogios a Doria na busca de apoio para aprovar a Reforma da Previdência.

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

segunda-feira 7 de agosto| Edição do dia

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Em meio à divisão do PSDB em relação à permanência no governo e à investida de setores do PMDB sobre cargos comandados por tucanos infiéis ao governo, o presidente Michel Temer distribuiu afagos ao prefeito de São Paulo, João Doria, uma das principais lideranças do PSDB a defender a manutenção da aliança com o peemedebista.

"Vejo aqui um parceiro e um companheiro. Alguém que compreende como ninguém os problemas do país", disse Temer bajulando o empresário prefeito, na manhã desta segunda-feira, 7, em evento na Prefeitura.

Temer e Doria assinaram um acordo que prevê a concessão à prefeitura de parte do Campo de Marte, hoje sob controle da Força Aérea, para que ele seja privatizado e parte vire um parque com museu. O projeto faz parte de um escandaloso plano de Doria cuja intenção é vender São Paulo para a iniciativa privada. Nomeado de desestatização, o plano prevê a privatização de todos os parques municipais da cidade além de diversas áreas e serviços que serão privatizados.

Apesar de tanto o prefeito quanto o presidente usaram o simbolismo do ato para reforçar o discurso em torno da conciliação nacional, na tentativa de transmitir estabilidade ao governo, esse encontro acontece menos de uma semana após o PSDB rachar na votação da Câmara que rejeitou a denúncia de corrupção contra Temer. Nela 22 deputados tucanos votaram pelo arquivamento da denúncia, 21 pela investigação de Temer e quatro se ausentaram.

A intensão de Temer também passa por se ligar a uma figura poderosa do PSDB na capital paulista, para tentar conquistar o apoio que não possui no Estado de São Paulo. Isto porque foi o setor paulista dos tucanos quem votou a favor da denúncia contra o presidente. De 12 deputados paulistas, 11 votaram contra Temer, apenas 1 a favor.

"Nós precisamos conciliar as posições e ele (Doria) está fazendo algo que defendemos há algum tempo", disse Temer fazendo alusão aos projetos de privatização do prefeito. Além disso, Doria também é um defensor da Reforma da Previdência.

Temer faz política com Doria para intervir no PSDB paulista e garantir o bloco no quórum para a votação da reforma da previdência na esperança de uma conciliação dentro do PSDB que não coloque obstáculos aos ataques do governo.

Presidente e prefeito ignoraram completamente o tema da corrupção e, assim, tentaram dar um ar de normalidade ao governo, como se não houvesse uma crise política que afeta todos os partidos tradicionais, de olho na reforma da previdência e nas eleições de 2018.

Com apenas 5% de aprovação popular, segundo pesquisas de opinião, Temer optou por destacar a importância de melhorar a relação com prefeitos e governadores, tão necessária para manter a base aliada do governo em sintonia para promover mais esse ataque contra trabalhadores e jovens, que se aprovado obrigará a que trabalhem até morrer, reduzindo drasticamente o valor da aposentadoria dos poucos que conseguirão se aposentar.

Frente aos afagos do presidente, e da possibilidade de Doria candidato a Presidência em 2018, o que poderia desgastar a relação com Geraldo Alckmin, o prefeito voltou a negar que seja candidato.

Segundo Doria, Alckmin que tinha presença confirmada desistiu de ir ao ato para não ofuscar o papel da prefeitura no acordo de privatização do Campo de Marte. Apesar dessa afirmação a atitude de Alckmin abre margem para especulações referentes a um possível conflito com Doria, e rachas no PSDB. O apoio de Doria a Temer depois do racha do PSDB na votação da câmara, a ausência do governado no evento, evidenciam também um racha no PSDB paulista e a tentativa de Temer de buscar apoio dos tucanos para garantir quorum na aprovação da reforma da presidência.




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