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Temer assume privatização dos aeroportos de Congonhas e Santos Dumont

domingo 10 de julho de 2016| Edição do dia

Em busca de recursos para reduzir o rombo artificial criado na contas públicas para beneficiar o Legislativo e o Judiciário com megasalários, o presidente golpista, Michel Temer, disse que "vai estudar a privatização" dos aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). "É possível que venhamos a privatizar, vai ser analisado, Congonhas e Santos Dumont, o que deve dar uma boa soma", afirmou.

Congonhas e Santos Dumont têm a rota mais movimentada do país, a ponte aérea Rio-São Paulo. A inclusão dos dois na lista de privatizações é uma mudança importante no pacote de concessões que está sendo montado pelo governo interino. Inicialmente, a ideia era vender só quatros unidades neste ano –Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza–, o que renderia, no mínimo, R$ 4,1 bilhões de receita.

Já foram concedidos à iniciativa privada seis aeroportos, responsáveis por 45% do fluxo de passageiros do país.

Há dois modelos em discussão sobre o futuro de Congonhas e Santos Dumont. Um, da área econômica, prevê a venda do controle, mantendo a Infraero como sócia minoritária. Outro, do setor de aviação civil, prevê uma gestão privada das unidades, mas com controle acionário nas mãos da estatal. Uma holding da Infraero teria 51% do capital, mas seriam abertas empresas para gerir os aeroportos. Nelas, o novo sócio privado seria majoritário e responsável pela gestão.

Temer disse esperar que a venda de ativos e a recuperação da economia gerem receitas suficientes para cumprir a meta fiscal de 2017, que prevê deficit de R$ 139 bilhões, mas não descartou a possibilidade de elevar impostos.

A equipe de Temer ainda está montando a lista do que pode ser privatizado e concedido ao setor privado, mas já conta com a venda da Caixa Seguridade, IRB, participações da Infraero em aeroportos e concessões de rodovias, portos e aeroportos.

A equipe econômica definiu como objetivo fechar o próximo ano com um deficit primário menor do que o de 2016, que pode ficar em até R$ 170,5 bilhões. Este déficit inflado artificialmente serviu para que o golpista Temer pudesse "aplicar benesses de lealdade" às cúpulas do Legislativo e do Judiciário com o dinheiro público - que cobram fatura pelo golpe institucional - enquanto contra tudo o que é público busca inundar os bolsos do capital estrangeiro com a entrega de ativos nacionais, como a venda de parte da CPFL à chinesa State Grid.

Querem nos fazer acreditar no velho mantra da direita (adotado pelo petismo): para "acabar com a corrupção", é preciso entregar os ativos nacionais e as empresas estatais nas mãos dos chefes empresariais mais corruptos, ligados por mil fios aos políticos do Congresso e ao Judiciário. Esse é um dos principais objetivos da reacionária Lava Jato: limpar o golpe institucional no plano político, e granjear apoio a um plano de privatizações noventista (numa velocidade que o PT não conseguiu fazer). Ou seja, a Lava Jato busca simplesmente selecionar um esquema de corrupção com o rosto da direita em lugar de um esquema com a cara petista.




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