Política

PT E LULA

"Tem um cara de direita que eu não gosto, mas tem voto”: diz Lula para justificar alianças com a velha ordem

Tem um cara de direita que eu não gosto, mas tem voto” diz Lula em entrevista, para justificar suas alianças com Renan e com a direita golpista em gestões passadas. Essa frase sintetiza a política de conciliação petista, onde fazem de tudo - não para enfrentar a direita e os ajustes - mas para gerir o Estado capitalista.

quinta-feira 19 de outubro| Edição do dia

É preciso fazer todo tipo de acordos espúrios e vendidos para entrar no governo, segundo entrevista de Lula: “Quando um partido como o PT procura fazer alianças políticas, só procura fazer essas alianças porque tem clareza de que, sozinho, não ganha as eleições, e, se ganhar, não tem como governar se não tiver maioria no Congresso Nacional. Esse é o dado concreto.”

O PT com os passar dos anos foi assimilando mais e mais toda a corrupção e os métodos do regime para governar. Por isso não é de se espantar ver Lula abraçado com Renan em sua caravana pelo nordeste, para governar é preciso se aliar novamente até com um dos articuladores do golpe. Vemos nesse "capitulo da crise" como a luta “contra o golpe” que tanto falava o PT em 2016, não foi tão contra o golpe assim. Ou alguém realmente acredita que o Renan se arrependeu? Como outro site petista quer fazer as pessoas acreditarem:

“Quando virem novamente Lula no palanque com alguém como Renan Calheiros, disposto a alinhar-se ao PT para derrotar a grande aliança golpista que hoje sustenta Temer. Renan votou contra Dilma, mas foi ele que articulou a fórmula que lhe garantiu a preservação dos direitos políticos. Apoiou Temer no inicio mas logo percebeu a inviabilidade de seu governo e começou a combater suas reformas, chegando logo ao rompimento. Tem problemas com a Justiça mas quem são hoje os puros do sistema político? Outras alianças virão”. Veja o texto na integra aqui.

Tentando justificar o injustificável é quase impossível não cometer alguma gafe. Renan claramente “pulou” fora quando viu a “inviabilidade” do governo Temer, não porque é contra as reformas, mas pelos seus cálculos eleitorais não queria se ver tão próximo ao Temer e de seus vergonhosos 3% de aprovação. O petismo assume esse oportunismo e ainda termina naturalizando um sistema político corrupto do qual é parte.

Nessa recente entrevista e no texto do petista Brasil247, não se tenta sequer ocultar o duplo discurso do PT: Lula fala abertamente sua política de se aliar com a direita e com “o diabo” para conquistar voto, e que esse é o método para se governar. Enquanto isso, milhares de trabalhadores sofrem com o desemprego, os cortes sociais e com a reforma trabalhista. Controlando grandes sindicatos e centrais sindicais, com capacidade para paralisar a produção com a força da classe trabalhadora - um luta real contra os golpistas e suas reformas - o PT, pelo contrário, busca salvaguardar o regime da própria direita.

O que a CUT e a CTB estão esperando para convocar manifestações de solidariedade e fazer de tudo para que a greve dos professores do Rio Grande do Sul - cujo sindicato é dirigido pelo PT - triunfe contra o governo Sartori?

Esse seria um combate efetivo contra as reformas nefastas de Temer. Entretanto, não há nada sobre as reformas que afetam a vida de milhões, no discurso do Lula. Reformas que devem seguir se for eleito, ao que tudo indica. A política de conciliação de Lula e do PT fica gráfica quando o petista falava a todos os ventos que "nunca os banqueiros lucraram tanto", mostra sua cara hoje no fortalecimento da direita com quem ele se aliou durante todos os mandatos petistas.

E o mais curioso é que, enquanto segue com um discurso populista, Lula reivindica sua aliança com setores empresariais no passado, sem problemas em fazê-lo novamente “por necessidade eleitoral”. “ Em 2002, disse ao PT que não seria candidato para fazer 30%, queria ser candidato para ganhar. Então, tenho que procurar onde estão os outros 20%, e fui procurar no Zé Alencar, que representava um setor empresarial importante – um homem altamente digno e decente –, e conseguimos ultrapassar a barreira dos 50%.”

Veja mais: Qual a política do PT? Velhas alianças para salvaguardar a exploração capitalista

Ou seja, a estratégia segue sendo governar com empresários, que são justamente o setor que mais vem aplaudindo e pressionando pelas reformas, porque querem explorar mais os trabalhadores e lhes tirar todos os direitos. Inclusive aprovando a facilitação da escravidão no Brasil.

As alianças do PT com os partidos golpistas preservam o regime e os direitos de exploração dos capitalistas, quando a tarefa é justamente a oposta: construir uma grande força política anticapitalista, para enfrentar a direita e os empresários.

O PT é um partido que administra o Capitalismo e atua para limitar as aspirações dos trabalhadores ao que se enquadra dentro de uma democracia burguesa degrada, os revolucionários lutamos pra supera-la e substitui-la pela democracia dos trabalhadores baseada em seus locais de trabalho. No entanto enquanto isso não é possível a atuação nas eleições só faz sentido se for para usa-la para ajudar a propaganda e organização revolucionaria dos trabalhadores, todo o oposto do que faz o PT, que atua para que os trabalhadores vejam em inimigos, como Renan e os Bancos, aliados.

Para realmente lutar pelas demandas dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, negros e LGBTs não será na arena eleitoral de quatro em quatro anos, mas sim na luta concreta, como fizeram os trabalhadores de todo o pais no dia 28 de abril, na greve geral, e como estão fazendo os trabalhadores do Rio Grande do Sul atualmente.

Os trabalhadores merecem uma esquerda à altura das tarefas da época: no Brasil, é necessário tirar lições e superar a experiência petista para não repetir sua tragédia. Para responder a crise atual é preciso uma resposta radical que não vai vir do PT, ou de setores que querem reeditar essa estratégia de conciliação para governar para os capitalistas. É necessário construir uma esquerda anticapitalista, que esteja colada as lutas e as idéias de choque com esse regime.




Tópicos relacionados

Eleições 2018   /    PT   /    Lula   /    Política

Comentários

Comentar