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Teleperformance deixa trabalhadores ainda mais pobres

Denúncia: Multinacional tem 2016 excepcional, mas oferece reajuste de apenas 4% os funcionários.

segunda-feira 6 de março de 2017| Edição do dia

Na estimativa mais otimista, a inflação de 2016 ficou em pouco mais de 6%. Os funcionários da maior terceirizadora da área de telemarketing, que no ano passado já tiveram perdas salariais, esse ano acumulam mais 2% (no mínimo) de perdas, tendo reajuste salarial de 4%.

Nas palavras do brasileiro Paulo Cesar Salles Vasques, CEO da multinacional francesa, "2016 foi um ano excepcional para a Teleperformance, não só pelo seu desempenho financeiro muito bom, alinhados com os objetivos anuais, com um crescimento de 7,4% nos seus negócios e um aumento significativo na sua margem operacional, mas também e especialmente pelo muito bem sucedido Transformação realizada em Setembro último, nomeadamente a aquisição em Setembro de 2016 da LanguageLine Solutions, fornecedora líder de soluções de interpretação online nos Estados Unidos.”

Ou seja, considerando todos os descontos, a empresa teve condições de ainda aumentar os lucros em 7,4% e comprar a maior empresa de tecnologia ligada à tradução nos Estados Unidos.

A Teleperformance conta com cerca de 190 mil trabalhadores espalhados pelo mundo. No Brasil, são cerca de 18 mil, em geral ganhando um salário mínimo. Os que ganham um pouco mais do que isso, agora se aproximaram ainda mais desse valor, com o qual sequer se paga as contas mais básicas de um adulto que viva sozinho.

35% para os acionistas

Colocar os acionistas como prioridade não prejudica apenas aos trabalhadores, mas à corporação e aos clientes. Todo mundo sabe os problemas envolvidos em processos que se atrasam ou dão errado por falta de funcionários ou de capacitação destes. Sabem de erros do sistema que seriam desnecessários se tivessem equipamentos adequados para realizar o trabalho. Sabem de gestores adoecendo física e mentalmente porque motivar os funcionários nas circunstâncias brutais da terceirização é um dilema ético.

Ainda assim, em outra entrevista Paulo César disse que acredita que pagando aos acionistas 35% dos lucros, oferece à empresa os todos os meios necessários para atingir seus objetivos a curto e a longo prazo. Assim, atender às condições mais básicas de sobrevivência dos trabalhadores não faz parte dos objetivos estratégicos dos patrões da “melhor empresa para se trabalhar” segundo “especialistas”, nem a curto e nem a longo prazo.

É preciso resistir

Apesar de todas as dificuldades impostas para a organização da categoria, ainda com um sindicato que não organiza a luta e negocia pelas costas dos trabalhadores um acordo que só atende aos interesses dos patrões, em Portugal os trabalhadores deram exemplo e paralisaram no início de Fevereiro.




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