Internacional

SEGUNDA JORNADA DE PARARILSAÇÕES PARCIAIS

Telemarketing na Espanha: a luta por um convênio que afeta 80.000 trabalhadoras e trabalhadores

Nesta quinta-feira aconteceu na Espanha a segunda jornada de paralisações de duas horas programadas e convocadas pelos sindicatos do setor de Call Center, mais conhecido como telemarketing.

Diego Lotito

Madri | @diegolotito

segunda-feira 3 de outubro| Edição do dia

Foto: CGT Konecta

O setor de Telemarketing não é um setor produtivo em crise. “Os benefícios empresariais aumentaram junto com o faturamento das empresas”, denuncia a CGT em um comunicado; no entanto, “as empresas agrupadas no sindicato patronal ACE querem esmagar ainda mais seus trabalhadores/as para engrossarem ilimitadamente sua conta de resultados.”

O setor de telemarketing é talvez o exemplo mais brutal das condições de hiperprecarização que a classe trabalhadora sofre, com salários de fome e condições de trabalho extenuantes, tanto física quanto psicologicamente.

“Esta é uma profissão muito precária e portanto muito feminizada, com uma presença de dois terços de mulheres nos lugares mais baixos da produção”, explica a CGT. “As jornadas completas se transformaram em uma exceção, dado que os empresários querem “carne barata”; ou seja, querem trabalhadores/as que trabalhem quatro, cinco ou seis horas sem descanso e depois abusar das medidas de flexibilidade de horários que as reformas trabalhistas dos últimos anos permitem.”

Este é o contexto que motorizou um conflito que afeta mais de 80.000 trabalhadoras e trabalhadores em todo o Estado, em meio às negociações do IV Convênio Coletivo de Call Center, bloqueadas há 22 meses pela prepotência da patronal e sua tentativa de preservar as condições de exploração que imperam no setor.

Em resposta a esta situação, todos os sindicatos do setor: CCOO, UGT, CGT, CIG, ELA, LAB, USO, AST, CoBas e Solidariedade Operária, convocaram um plano de luta que inclui as paralisações de duas horas nos dias 22 e 29 de setembro já realizadas, e está convocada uma greve de 24 horas para o dia 6 de outubro.

Nesta quinta-feira aconteceu a segunda jornada de paralisações parciais de duas horas. “a adesão foi muito alta, como também foi na quinta-feira passada. Segundo informaram todos os sindicatos convocantes, muitos dos serviços ficaram paralisados nas principais empresas do setor, com uma adesão alta na maioria dos estados onde há empresas de telemarketing”, comenta Soledad Pino, trabalhadora em um Call Center, afiliada à CGT e integrante do Esquerda Diário - Espanha.

A patronal, pertencente à CEOE, “está negociando com a CGT, CCOO, UGT e CiG um novo convênio coletivo setorial e pretende impor cortes sem nenhuma contrapartida”, denuncia a CGT. “Defendem congelamento salarial no primeiro ano do convênio e depois um aumento salarial médio nos três anos seguintes, de 0,6% (tendo em conta que no convênio coletivo 2010/2014 anterior aconteceu uma perda do poder adquisitivo de 5%)”.

Mas para a CGT as empresas não se conformam nem sequer assim. “Querem atacar o direito à saúde de seus trabalhadores/as. Há 15 anos existem no convênio 35 horas médicas retribuídas ao ano para ir a consultas da Segurança Social. A partir daí se desconta os dias de falta. Querem que os trabalhadores/as de jornada parcial tenham menos horas para ir ao médico e desta maneira incentivar ainda mais contratações deste tipo”, explicam no comunicado citado anteriormente.

“Enquanto a patronal se nega a negociar, seguem as demissões, os contratos precários, as modificações permanentes em nossas condições de trabalho, nos turnos, a mudança de critérios para nos pagar os incentivos, e todo tipo de arbitrariedades que sofremos diariamente as e os trabalhadores do setor”, denuncia Soledad Pino.

“Por isto vamos à greve neste 6 de outubro. Não só por um Convênio justo, senão que por todas nossas reivindicações e porque queremos acabar com este verdadeiro sistema de precarização generalizada. Esperamos que todas as trabalhadoras – que aliás somos a maioria – e nossos companheiros trabalhadores respondam massivamente à paralisação. Porque já é hora de parar as bases destas empresas escravistas”.

Na próxima quinta-feira (6), em meio à greve de 24 horas, convocada legalmente pelos sindicatos CCOO, UGT, CGT e USO, também acontecerão manifestações em diferentes cidades do Estado. A manifestação principal acontecerá lugar em Madrid às 12:00, desde o edifício central da Telefônica na Gran Vía até a Puerta do Sol.




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