Mundo Operário

Telemarketing: "Estão dizendo que não podemos ficar doentes, pois trabalharemos mesmo assim"

Patrões do telemarketing seguem colocando seus lucros acima da saúde e da vida dos operadores.

segunda-feira 23 de março| Edição do dia

Recebemos várias denúncias de que empresas de telemarketing não têm garantido condições de trabalho adequadas para a proteção da saúde dos operadores, estando muito mais preocupados com seus lucros.

Diversas denúncias, de diversas empresas em vários estados do país, apontam os mesmos problemas: patrões que impõem aos funcionários trabalhem em espaços lotados com várias centenas, sem ventilação e utilizando o mesmo equipamento sem higienização entre um turno e outro.

Veja abaixo algumas denúncias

"Trabalho numa empresa de call center (Tel Telemática e Marketing) localizada em São Paulo - Barra funda, que possui mais de 500 funcionários e ainda não suspendeu os serviços aos operadores. A mesma já afastou quatro funcionários com suspeita do vírus e mesmo assim mantém as atividades. Tem funcionários acima de 60 anos, incluindo diabéticos e gestantes."

"Trabalho na Lapa, na Teleperformance, que fica localizada dentro do eBUSINESS PARK. Lá nada mudou. A única medida tomada foi colocar os supervisores e funcionários antigos para trabalhar em casa enquanto os mais novos estão aglomerados, uns colados nos outros dentro da operação. Ainda descontam da folha pausas particulares, disponibilizando álcool em gel muito longe das PAs. Pessoas tossindo e espirrando já virou rotina, até agora não tomaram nenhuma providência palpável em prol dos experts e também foi falado que, quem não quiser trabalhar, o RH está a disposição, ou seja...
Pior ainda com essa nova lei lunática do governo em colocar call center como serviço essencial, somente para proibir as manifestações dos funcionários e nos obrigar a contaminar uns aos outros."

"A empresa Atento na cidade de São José dos Campos - SP está funcionando nas mesmas condições também. Supervisores fazendo pressão psicológica, dizendo que os funcionários não podem ficar doentes pois vão trabalhar mesmo assim."

"Trabalho em uma empresa de telemarketing em São Caetano do Sul, a Exto Brasil, em um galpão junto com mais ou menos 400 teleoperadores, na parte de cobrança. Até o momento a empresa não tomou providência para evitar o contágio. Com a aglomeração de pessoas nos breaks, muita gente acumula. A única coisa que fizeram até agora foi espalhar pequenos recipientes de álcool em gel pela empresa. Estamos todos preocupados com nossa saúde, ainda mais eu, que tenho imunidade baixa e problema respiratório. Eles não tem previsão pra parar, só nos aconselham lavar as mãos."

"Trabalho no telemarketing que presta serviço para a Claro. Vendo TV por assinatura, mas na empresa temos diversos produtos, NetVírtua, chip, Telecine. A empresa alega que a Claro não suspendeu nossos serviços, mas nem a empresa e nem o cliente disponibilizaram uma readequação perante a pandemia."

"Todos trabalhamos em um ambiente que não é arejado e com as janelas fechadas e compartilhamos computadores. A única medida tomada foi a disponibilização do álcool em gel. Os banheiros são sujos e não existe uma escala e ou limpeza diária das PAs. Assim como o resto do Brasil, estou com medo de ir trabalhar e trazer o vírus para minha casa ou até mesmo infectar um desconhecido. Já existem 4 casos suspeitos na empresa, sendo um da minha equipe, e a empresa insiste em dizer que não. Gostaria de pedir ajuda dos meus amigos e amigos dos amigos para compartilhar e esperar que a empresa tome alguma providência. Não estou me negando a trabalhar, mas quero trabalhar em um ambiente seguro. Além disso, não faz sentido eu vender um produto onde o técnico não pode entrar na residência para realizar a instalação, uma vez que todos estão trancados em casa para não transmitir."




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