Mundo Operário

CRISE NO RJ

Técnicos administrativos da UERJ falam sobre a paralisação que iniciou dia 21/11

O Esquerda Diário entrou em contato com alguns técnicos administrativos da UERJ que estão paralisados desde o dia 21/11 para contar sobre a paralisação. Assim como outras categorias do funcionalismo do estado do RJ estão sendo atacados pelo pacote do Pezão e pela crise que estão descarregando nas costas dos trabalhadores e da juventude.

sexta-feira 9 de dezembro de 2016| Edição do dia

"A mobilização dos técnicos administrativos da UERJ faz 1 ano nesse mês de Dezembro. No mesmo mês em 2015 fomos pegos de surpresa com a notícia do parcelamento do salário, antes pago no 2º dia útil, em 2 vezes, além do parcelamento da 2ª parte do décimo terceiro que foi quitada em 5 vezes somente no ano de 2016.

Em março, com a passagem da data do pagamento para o 10º dia útil entramos em uma greve que durou quase 6 meses. Depois de ficar quase dois anos sem assembléia, a categoria mostrou seu desejo de lutar participando ativamente dos atos, sendo vanguarda na luta contra a privatização do Pedro Hernesto e os desmandos da direção do HUPE e da PPC. Foram vários atos de rua combativos que fecharam a radial oeste e a são Francisco Xavier e que contaram também com a participação dos docentes e dos discentes. Após mais de 20 anos, os técnicos administrativos voltaram a se utilizar dos piquetes para garantir que a greve fosse respeitada e pra combater as políticas de austeridade do governo Estadual. Foram ao todo 4 piquetes organizados pela categoria técnico administrativo, com participação dos estudantes em todos eles, além do que foi organizado pelos estudantes o qual a categoria também incorporou.

Ademais, a categoria implementou, através do comando de greve, uma prática de reuniões setoriais pra resolver questões relacionadas as essencialidades de cada setor. O tempo e a quantidade de trabalhos essenciais que necessitavam ser realizados - visto que se não executados trariam prejuízos irrecuperáveis a comunidade da UERJ - foram decididos nessas reuniões, de baixo pra cima, fazendo valer democraticamente a vontade do conjunto dos servidores de cada setor, fosse na UERJ, PPC ou HUPE. Vale ressaltar que os técnicos do Hupe e da PPC tiveram sua greve judicializada em ação impetrada pela PG-UERJ. Diante dessa covardia, a categoria se uniu e após grandes atos na porta da reitoria e no CONSUN, arrancou destes uma resolução que deliberava pelo fim da procuradoria que persegue e criminaliza a luta dos trabalhadores e estudantes da Universidade.

Mesmo com as parcas conquistas da greve e o seu fim a categoria não esmoreceu e continuou fazendo periodicamente assembléias. Isto contribuiu pra que a categoria não fosse pega de surpresa, como no ano de 2015, com a apresentação à Alerj do pacote de maldades do Pezão e desse uma resposta imediata: mobilização e luta contra o pacote e contra o parcelamento de salários. Desde 21 de Novembro estamos paralisados e realizando assembléias gerais semanais de avaliação da conjuntura. Decorre desse amplo processo de politização, discussão sistemática e mobilização, a ampla participação dos técnicos administrativos em todos os atos puxados pelo MUSPE contra o pacote de maldades do Pezão. Entretanto, ciente dos limites desse espaço e das categorias que o compõem, os técnicos administrativos aprovaram em sua última assembléia a participação na plenária de base organizada pelo Sindscope e pela Adur, a unidade com os servidores federais e o conjunto da classe trabalhadora na luta contra a PEC 55 e a reforma da previdência e a construção da greve geral no Estado do RJ.

A categoria entende que é fundamental a mobilização e a unidade com todas as categorias, inclusive dos estudantes e docentes da UERJ, pois compreende que só com milhões nas ruas poderemos barrar e reverter os ataques impetrados pelos governos Temer e Pezão. Como consequência do acúmulo dos debates realizados e das lutas travadas, foi incluso como ponto de pauta da próxima assembléia, a se realizar no dia 13 de dezembro, a discussão de indicativo de greve. A fim de garantir que a luta na UERJ ganhe corpo, é muito importante que as outras categorias também iniciem a mobilização em suas bases a fim de combater o governo e a sanha dos empresários e garantir nossa sobrevivência. Nos vemos nas ruas!"

Jonatas Aarão, técnico administrativo da SR1

"Em assembleia no dia 17/11/2016 os servidores técnicos administrativos da UERJ votaram por paralisação a partir do dia 21/11/2016 para responder a afronta do governo que parcelou em 7 vezes os salários dos servidores ativos e inativos e para garantir a possibilidade de participação do conjunto dos trabalhadores da UERJ nos espaços de luta que exigem nossa mobilização(assembleias da categoria e atos na ALERJ) numa tentativa de barrar as medidas de austeridade fiscal que ferem os direitos dos trabalhadores e da população do RJ.

Acreditamos que somente a luta fortalecida do conjunto da sociedade pode responder aos ataques do governo estadual. Até a data de hoje (07/12) cerca de 9000 servidores ainda não receberam a integralização do seu salário do mês de outubro e ainda não há data prevista para o pagamento dos salários do mês de novembro e nem decimo terceiro. Além disso, as medidas de “controle” da crise financeira do estado criada pelo desgoverno do PMDB apresentam como principais propostas o ataques aos trabalhadores e aos serviços públicos do RJ, garantido privilégio dos grandes empresários do Estado. Deliberamos continuidade da paralisação até a integralização total salários dos servidores ativos e inativos e até que se concluam as votações das medidas de resposta a crise financeira do Estado defendendo a retirada das medidas que em sua maioria são inconstitucionais, para isso garantiremos presença nos atos na ALERJ também denunciando a condição de abandono da UERJ pela falta de repasses do governo estadual que perdura desde o inicio do segundo semestre desse ano."

Ana, técnica adminsitrativa




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