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“Tá tudo em casa 1”: Base aliada de Temer não quer convocar Geddel na Câmara

Aos amigos tudo, talvez esse lema combina mais do que o "ordem e progresso" adotado por Temer e sua base aliada. Em votação os membros do governo golpista negaram convocar Geddel para esclarecimento na Câmara.

quarta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Mais uma manobra do governo golpista de Temer foi feita para proteger a sua base aliada (ou diretamente de sustentação). Deputados dos partidos PMDB, PSDB, PP, PTB, Pros, PR, PRB, PV, DEM e SD hoje votaram na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para a não convocação de Geddel Vieira Lima a dar depoimento sobre a acusação que responde.

Geddel, antes da base aliada dos governos do PT e hoje ministro da Secretaria de Governo de Temer, foi acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de pressioná-lo para produzir uma avaliação técnica favorável à construção de um condomínio de luxo na Bahia, no qual Geddel e familiares já possuem escrituras. O condomínio estaria numa localidade de preservação histórica, com vários pontos turísticos que seriam afetados. Trata-se de um apartamento milionário. Geddel que já foi do carlismo, depois da base apoio de Lula, depois da oposição é amigo há décadas de Temer e foi descrito por outro membro do PMDB, o ex-presidente (também sem voto) Itamar Franco como um “percevejo” do poder por sempre estar procurando uma veia para sugar para seus negócios políticos e privados.

Na votação, estava presente (mesmo não sendo membro da Comissão de Fiscalização) o líder do governo na Câmara André Moura (do PSC de Feliciano e outros reacionários). Ele foi o responsável pela orientação à base aliada para que votassem contra a convocação do ministro. Em declaração, disse: “Quero que me digam qual foi o crime praticado pelo ministro Geddel que até agora não consegui enxergar.” Claro, no que diz respeito ao governo golpista, estes senhores só enxergam o que lhes convêm, para continuarem cumprindo seu papel de atacar os direitos dos trabalhadores e do povo.

Ao votarem para que a convocação não seja feita, deixam à Comissão de Ética da Presidência a decisão sobre o caso Geddel sem maiores interferências e/ou evidências; ou seja, contribui para que se encerre com mais facilidade o processo aberto. Uma das garantias disso é a presença na tal comissão de José Saraiva, indicado ao posto pelo próprio Geddel. Se já não bastasse esse fato, Saraiva é também advogado da Ademi da Bahia (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), que representa os grandes magnatas das construtoras neste estado.

Poderíamos então, com todo este cenário, com o perdão do trocadilho, dizer que “Geddel está entre amigos, está tudo em casa”. É fato que esta acusação é uma prova da instabilidade do governo golpista. Mas também é fato que até agora suas bases aliadas buscam assegurar, manobra após manobra, as condições de sustentação deste governo, que só foi implantado para colocar mais rápido na agenda os ajustes que já vinha fazendo o governo petista.




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