AUTORITARISMO

TST proíbe greves contra privatização mirando luta contra reforma da previdência. Centrais sindicais em silêncio

quarta-feira 13 de fevereiro| Edição do dia

A escandalosa decisão do TST de tornar “abusiva” qualquer greve contra a privatização tem mais de um alvo. É em primeiro lugar ajudar Bolsonaro e o mercado financeiro nacional e imperialista a abocanharem o metrô paulista, bancos públicos, SABESP, Eletrobras e parte do petróleo, mas também tem como alvo impedir a luta contra a reforma da Previdência, a "mãe de todas as reformas", como dizem os analistas de economia.

A argumentação mediante a qual o TST decidiu impedir greves “políticas” contra a privatização pode facilmente ser estendida a qualquer luta da classe trabalhadora. Argumentaram reacionariamente que a decisão sobre uma privatização cabe ao governo e ao congresso e não aos trabalhadores, e que portanto sua greve serviria de pressão e seria ilegal. Mesmo argumento podem dar para qualquer tipo de luta não diretamente salarial.

Essa decisão do TST tem como pano de fundo a ideia de que não cabe aos trabalhadores fazerem política. Cabe só aos empresários e aqueles que os sirvam com terno e gravata ou toga. Mesma posição que o partido de Bolsonaro, o PSL, já afirmou ter sobre as mulheres, a maioria dos trabalhadores no mundo e crescentemente em nosso país também.

Trata-se de um grave ataque ao direito de greve e que – para variar – as centrais sindicais nada falaram. Adoram o silencio e um cafezinho com Mourão (como fez a CUT), trocar o potencial de uma greve em metroviários por acordos e cargos com Rodrigo Maia como fez o CTB e seu partido o PCdoB, ou diretamente apoiando Bolsonaro como faz a UGT.

As centrais sindicais marcaram uma “assembleia geral” neste próximo dia 20, para “definir próximos passos contra a reforma da Previdência”, há meses anunciada, e quase na véspera de ir à votação na Câmara... e nada organizaram, nem mesmo para garantir participação dos trabalhadores na suposta “assembleia”.

Impedir a luta contra as privatizações e qualquer manifestação política da classe trabalhadora é parte da contribuição do autoritarismo judiciário para Bolsonaro e aos capitalistas. Cabe urgentemente organizar a luta da classe trabalhadora, organizar um verdadeiro plano de lutas, que derrote o golpismo judiciário e a reforma da previdência. É preciso organizar comitês em cada local de trabalho que proponha ações e coordenação entre os setores em luta para impor às direções sindicais o fim de sua trégua e uma verdadeira guerra que curve os TSTs e Bolsonaro e garanta o direito de todos trabalhadores brasileiros a se aposentar e até mesmo de fazer greve.




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