Mundo Operário

METROVIÁRIOS DE SP

TST nos deixou sem Acordo Coletivo! Organizar pela base contra o ataque de Doria e Metrô

Fernanda Peluci, diretora do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

Rodrigo Tufão, diretor do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

diretor do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

quarta-feira 10 de junho| Edição do dia

Nas últimas semanas alguns fatores mudaram a situação para os metroviários e para o país. Primeiro o TST derrubou a pedido da direção do Metrô, liminar que estendia nosso acordo coletivo anterior por 90 dias, nos deixando neste momento sem acordo coletivo. A empresa quer com isso impor a revisão do acordo coletivo imediatamente, e portanto nossa mobilização é urgente. Mesmo durante uma crise gravíssima, os esforços da direção da empresa e do governo se voltam para atacar os direitos dos trabalhadores, aproveitando-se de uma situação sanitária terrível para impor seu projeto privatista e desumano, atacando, em meio à pandemia, nossso plano de saúde, cortando asdicional de risco de vida, de trabalho nortuno, de hora extra, entre outros. Isso mostra que não podemos confiar na justiça nem no bom senso de Doria, mas sim no potencial de mobilização dos trabalhadores.

O segundo fator que mudou a situação política foram as mobilizações antirracistas que se espalharam por todo o mundo, com epicentro nos EUA, após o assassinato de George Floyd por um policial branco. Aqui no Brasil, se combinaram à resistência às ameaças autoritárias de Bolsonaro começaram a ter uma resposta, com milhares nas ruas no último domingo(07) contra seu governo e o racismo. Isso mostra que existe a possibilidade de lutar, que os trabalhadores e a juventude podem organizar a resistência a retirada de direitos e o descaso com que é tratada a pandemia no país. Já ultrapassamos 36 mil mortos pela Covid e estamos caminhando a passos largos para termos 1 milhão de infectados nos próximos dias. Enquanto isso, prefeitos e governadores começam a abrir a economia por pressão dos patrões, no momento em que a curva de contágio cresce.

Nós do Movimento Nossa Classe, desde o começo da pandemia em março desse ano, viemos defendendo na diretoria do sindicato a necessidade de se organizar pela base os metroviários para enfrentar a crise. Defendemos que o sindicato orientasse a categoria a fazer reuniões por local de trabalho, tomando todas as precauções de segurança, e podendo usar os recursos digitais que sirvam melhor pra cada situação, levantando as demandas das áreas e tirando representantes, para formarmos um comitê dos trabalhadores, que junto ao sindicato deveria encaminhar e decidir nossos métodos de luta e organização. Essa proposta foi recusada pela maioria da diretoria do sindicato, que só agora, frente aos absurdos ataques da empresa nas últimas semanas, decidiu chamar reuniões nas áreas e a realização de um conselho consultivo, sem poder de decisão. Achamos insuficiente essa proposta, pois vemos que os trabalhadores tem que se organizar por local de trabalho e eleger representantes para um fórum amplo com poder decisivo. Vemos a empresa avançando para fazer os funcionários do grupo de risco voltarem ao trabalho, só vamos impedir esses absurdos se nos organizarmos pela base.https://www.esquerdadiario.com.br/Doria-e-Metro-convocam-os-idosos-para-trabalhar-quando-o-transporte-estara-mais-lotado

Estamos em uma crise histórica e precisamos massificar a luta, não dá para apenas a diretoria decidir as coisas, fazendo somente assembleias on-line com perguntas pré estabelecidas ou "reuniões" setoriais que são lives que não permitem a fala dos trabalhadores, apenas de alguns diretores. Para derrotar a tentativa da empresa em atacar nosso plano de saúde no meio de uma pandemia, entre outras que planeja, necessitamos que os trabalhadores sejam sujeitos ativos, massificando a mobilização, promovendo ações em uma escala maior, envolvendo mais áreas e mais metroviários.

O Metrô quer justificar os ataques por conta da queda de arrecadação na pandemia, mas sabemos que é mentira: a empresa já havia anunciado por escrito em seus planos plurianuais a intenção de implementar esses mesmos ataques, vinha tentando fazê-lo nos últimos anos, e agora está se aproveitando de forma perversa a pandemia para tentar acabar com nossos direitos. Nesse momento não podemos acreditar que os ataques sejam um "bode na sala": para Doria, enquanto posa demagogicamente como "responsável" diante da pandemia, é decisivo se cacifar frente à burguesia para a disputa com Bolsonaro, como alguém capaz de assumir o desgaste e ir até o fim em atacar os trabalhadores, e quer impor uma derrota duríssima aos metroviários para ter uma correlação de forças melhor contra todo o funcionalismo e todos os trabalhadores.

Frente a isso, temos que nos mobilizar para defender com centralidade: Nenhuma retirada de direitos para os trabalhadores que estão se arriscando na linha de frente! Essa é uma discussão central, pois a Chapa 1, majoritária na diretoria do sindicato (que é proporcional, composta por 4 chapas) já deixou claro na negociação recente do acordo coletivo dos trabalhadores da Linha 4 - Amarela que sua posição é a de aceitar inertes a retirada de direitos, incluindo redução salarial. É a mesma posição que os partidos que compõem essa chapa - PCdoB, PSB e PT, que dirigem a CTB e a CUT - têm levado adiante em todo o país. O próprio Rodrigo Maia indicou Orlando Silva, do PCdoB, como relator da MP 936 (da redução salarial e suspensão de contratos), e ele costurou um acordo com toda a câmara, inclusive o centrão e os próprios bolsonaristas, que aprovaram por unanimidade a MP com suas propostas de emenda. A Chapa 1 diz que tamanha retirada de direitos é uma conquista, como se isso fosse compensado pela extensão da validade dos acordos coletivos, mas em seguida o TST nos deixa sem acordo coletivo, mostrando que grandes "conquistas" vêm por esse caminho.

Mesmo durante a parcial quarentena feita nos Estados e municípios, os trabalhadores sofreram com a falta de EPIs. Os informais ficaram sem nenhuma renda. As demissões, cortes de salário e suspensão de contratos de trabalho, passaram como uma tsunami, observadas em silêncio e muitas vezes com aval de sindicatos e centrais sindicais. Agora com a reabertura, nossas condições sanitárias de trabalho vão piorar, por isso precisamos estar organizados para resistir aos ataques, dando uma resposta coletiva para Doria, nos unindo às lutas antirracistas e contra a precarização que atinge cada vez mais trabalhadores, e buscando uma saída independente para derrubar Bolsonaro e Mourão




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