TSE retoma ações que pedem cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por ataques cibernéticos

terça-feira 9 de junho| Edição do dia

A retomada do julgamento do ano passado é uma demonstração de como as investigações evoluem ao passo da crise política. O julgamento retoma duas ações sobre ataques cibernéticos em rede social para beneficiar a campanha da chapa presidencial de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão, em 2018.

Os autores alegam que, durante a campanha, em setembro de 2018, o grupo virtual “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, que reunia mais de 2,7 milhões de pessoas, sofreu ataque de hackers que alteraram o conteúdo da página. As interferências atingiram o visual e até mesmo o nome da página, modificado para “Mulheres com Bolsonaro #17”, que também passou a compartilhar mensagens de apoio à chapa eleitoral e conteúdos ofensivos, além de excluir participantes que o criticavam.

Desde a época das eleições, já antecipávamos que esses julgamentos do TSE seriam utilizados pelo Judiciário em caso de necessidade para disciplinar Bolsonaro. Esse julgamento em si representa menos ofensividade contra o presidente e Mourão do que o inquérito das Fake News sob condução do STF nas mãos de Alexandre Moraes, que já levou a uma série de buscas e apreensões contra empresários e políticos do bolsonarismo. Justamente, as provas apreendidas no inquérito das Fake News são os principais complicadores para o julgamento de outras ações na Corte que tratarão do tema.

Entretanto, como afirmamos, o processo corre ao sabor da crise política. A retomada pelo judiciário serve bem para ele se localizar por dentro da Frente Ampla contra Bolsonaro. O que não implica que ele queira avançar decididamente pela destituição de Bolsonaro e Mourão. Mesmo com o acirramento das tensões entre o bloco do STF e o bloco dos militares-Bolsonaro, as recentes declarações de Toffoli, presidente do Supremo, chamando a serenidade entre os Poderes, mostra a disposição do judiciário em negociar. O que está em jogo nessa disputa é principalmente quem conduz a baqueta do autoritarismo no país, com o judiciário buscando retomar o predomínio perdido para os militares.

Nos somamos a todos aqueles que pedem a cassação da chapa, defendendo o Fora Bolsonaro e Mourão, mas não podemos ter ilusões no judiciário. A massividade dos atos de domingo são um importante ponto de apoio para elevar a luta contra o autoritarismo desse governo, além de cobrar justiça por todas as vítimas do racismo institucional. Somente a mobilização dos trabalhadores através de sua auto-organização pode oferecer uma saída para a crise política, econômica e sanitária atual.




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