CENSURA

TSE aceita pedido de Bolsonaro e censura campanha da UNE

O TSE determinou que a UNE retire de seu site oficial um manifesto contra Jair Bolsonaro (PSL) com uma campanha "Bolsonaro Não!". Isso é claramente uma medida de censura e perseguição à maior entidade de estudantes do país.

segunda-feira 22 de outubro| Edição do dia

O ministro Carlos Horbach, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a União Nacional dos Estudantes (UNE) retire de seu site oficial um manifesto contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência e também um link que direciona o internauta para a página “Bolsonaro Não”, no Facebook.

Horbach atendeu a um pedido da campanha de Bolsonaro, justificadas por serem “ilegais e criminosas”, por caracterizarem propaganda eleitoral feita por pessoa jurídica. Irônico é que em momento algum a Havan, cujo empresário dono é um dos financiadores do caixa 2 de Bolsonaro, foi impedida de fazer abertamente campanha pró Bolsonaro, coagindo funcionários e ameaçando de demissão aqueles que não aderissem à campanha.

O ministro determinou que as postagens intituladas “UNE, Ubes e ANPG assinam carta contra o ódio e saem em defesa da democracia” e “Motivos para não votar em Bolsonaro” sejam removidas. Os links já foram retirados.

Em manifestação publicada na página da UNE, a entidade diz que Bolsonaro não aceita que pessoas pensem diferente dele e não aceita que organizações tenham pensamentos. “Ele chegou a dizer que não quer jovens críticos no nosso país deve ser por isso que ele se sente coagido com a nossa campanha”.

É um absurdo essa perseguição e essa censura. A UNE é a maior entidade estudantil do país e tem milhões de jovens filiados. Temos profundas divergências com a UNE e sua direção majoritária, mas vemos claramente que este ataque se trata de uma perseguição e uma censura ao conjunto dos jovens estudantes que, neste momento, se colocam contra a candidatura de Jair Bolsonaro. Defendemos intransigentemente o direito da juventude de se organizar e atuar politicamente em seus locais de estudo, trabalho e em suas cidades, e com isso defendemos também o direito elementar da UNE expressar publicamente seus posicionamentos. Bolsonaro quer atacar essas entidades pois sabe que a juventude tem aquele potencial fervoroso dinâmico e massivo que saiu às ruas em 2013 e preencheu as cidades com energia e luta. É isso o que Bolsonaro e os golpistas mais temem e por isso atacam hoje a UNE: para prevenir um ascenso da juventude.

Não podemos permitir! A CUT, a CTB, a UNE e todas as grandes entidades e centrais sindicais do país devem sair da paralisia e do debate puramente eleitoral e ir para a luta, para derrotar a figura de Bolsonaro e a extrema-direita, assim como derrotar os golpistas e as reformas. Isso somente será possível através da construção de comitês de base em todos os locais de trabalho e estudo pelo país, que brotem aos milhares chegando a milhões de trabalhadores e estudantes que se coloquem contra o plano de ataques de Bolsonaro, de maneira independente do PT e apostando na luta de classes.

Com informações do Agência Brasil.




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