REINTEGRAÇÃO DE POSSE

TRF4 ordena reintegração de posse do Quilombo Lemos em Porto Alegre

No dia da consciência negra e logo após o assassinato de João Alberto no Carrefour da zona norte, o judiciário protagonista do golpe decretou a reintegração de posse do Quilombo Lemos, sétimo quilombo urbano de Porto Alegre, instalado na década de 1960. Em plena pandemia, os 28 moradores do quilombo poderão ser despejados em nome da especulação imobiliária.

quinta-feira 26 de novembro de 2020| Edição do dia

Foto: Joana Berwanger/Sul21

A Frente Quilombola do Rio Grande do Sul publicou nesta segunda-feira (23) liminar concedida por desembargadora da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) determinando a reintegração de posse do Quilombo Lemos, em Porto Alegre. Mais uma ofensiva contra o povo negro, que acontece na mesma semana do assassinato de João Alberto em um Carrefour também em Porto Alegre.

A decisão foi expedida no 20 de novembro, dia da Consciência Negra, com prazo para de 45 dias para a saída voluntária das famílias. A reintegração pode acarretar no despejo de cerca de 28 pessoas que moram no Quilombo Lemos hoje. O quilombo também denuncia que a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) veio se reunindo com a direção do Asilo Padre Cacique, sob pedido deste, cumprindo um papel de auxiliar dos ataques ao povo negro.

Veja também: Alta de 73% nos lucros do Carrefour se dá em cima da fome, sangue e trabalho negro

De acordo com a Frente Quilombola, a decisão atende pedido da direção do Asilo Padre Cacique, que fica ao lado do Quilombo e que atenta grilar o território ocupado pelos quilombolas desde 1960. Por conta de um projeto de construção de duas torres em frente aos terrenos do Asilo e do quilombo, promovido pelo SC Internacional, o Asilo Padre Cacique receberá como contrapartida um projeto de reformas, exigindo a reintegração diante disso.

O gigante projeto construirá no terreno do Estádio Beira-Rio as torres mais altas do Rio Grande do Sul, despertando o pleno interesse da especulação imobiliária na região. Por coincidência ou não, quem exigiu a tramitação em regime de urgência da autorização do projeto na Câmara Municipal foi o racista Valter Nagelstein (PSD), deputado da extrema-direita local.

Em meio pandemia quilombolas são despejados de seus lares, como também foi o caso emblemático no Maranhão, que atacava 800 famílias.

Nós do Esquerda Diário prestamos toda a nossa solidariedade a todos os moradores do Quilombo Lemos, assim como rechaçamos o absurdo papel que cumpre na expulsão dessas famílias o judiciário, inimigo dos trabalhadores, dos negros e do conjunto dos oprimidos. Para que nenhuma vida valha menos que o lucro dos capitalistas, em defesa dos moradores dos quilombos e favelas, por João Alberto e a juventude negra que vive espremida entre as balas da polícia, a violência racista e o desemprego, confiemos somente em nossas próprias forças contra esse sistema de exploração e opressão que é o capitalismo!




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