SEPARAÇÃO ENTRE IGREJA E ESTADO

TJ-RJ cria lista de proibições para Crivella que são um resumo do que foi sua gestão

A justiça estadual do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, aplicou uma lista com restrições à atuação do prefeito da cidade para impedi-lo de beneficiar, com serviços públicos e ações da prefeitura, igrejas evangélicas. Sobretudo a “empresa da fé” na qual ele é líder licenciado, a Igreja Universal do Reino de Deus de seu tio bispo Edir Macedo.

terça-feira 17 de julho| Edição do dia

Em decisão que mostra a cordialidade da Justiça com a Igreja, durante toda a gestão de Crivella, agora o TJRJ decidiu fazer "recomendações" para o prefeito Crivella não misturar sua Igreja com a Prefeitura do RJ. O TJRJ afirmou que pode afastar o prefeito caso ele incorra em algum destes atos.

A lista de recomendações do que "não fazer" parece ser uma descrição exata do que foi a gestão de Crivella à frente da prefeitura do Rio de Janeiro:

1 - utilizar máquina pública em defesa de interesse pessoal ou de grupo religioso
2 - determinar que servidores públicos privilegiem categorias no acesso ao serviço público (como filas de hospitais)
3 - atuar em favor da Igreja Universal do Reino de Deus, IURD (da qual é bispo licenciado)
4 - manter relação com entidades que se utilizam do poder político da Prefeitura
5 - realizar censo religioso
6 - estimular entidades religiosas com patrocínio, subsídio ou financiamento
7 - utilizar espaços públicos para doutrinação religiosa
8 - conceder privilégios em espaços públicos a pessoas de seu grupo religioso
9 - utilizar escolas ou hospitais para eventos da IURD
10 - realizar ação social ligada a entidades religiosas ou fé
11 - implantar agenda religiosa
12 - adotar atitude discriminatória com pessoas que não professam sua fé

O TJRJ afirmou que afastará o prefeito caso alguma destas condutas seja realizada. É mais fácil acreditar na existência de Papai Noel do que em Crivella obedecendo estas regras, quando na realidade já começou a corrida pelas eleições de 2018 e todos os políticos, sejam evangélicos ou não, vão usar a máquina do estado para oferecer vantagens em troca de voto.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, continua governando a cidade a partir de sua fé e do interesse dos seus aliados capitalistas, favorecendo seu seu grupo religioso e seus interesses próprios, além dos interesses dos empresários do transporte, da saúde e de outros ramos.

Isso tudo em detrimento do acesso de milhões de cariocas à saúde, à educação e ao lazer. Os trabalhadores cariocas sofrem cotidianamente com as medidas implementadas pelo pastor/prefeito da capital fluminense. Conforme já denunciamos aqui no Esquerda Diário, Crivella coleciona uma lista extensa de escândalos de corrupção envolvendo sua igreja, a Universal do Reino de Deus e a prefeitura do Rio de Janeiro e frequentemente demonstra como o Estado não é laico. Em novembro do ano passado, Crivella concedeu o título de “utilidade pública” à Universal, garantindo inúmeras facilidades para a instituição em parcerias e recebimento de verbas públicas.

No mês passado, foi votado na câmara dos vereadores o pedido de impeachment do líder religioso, alimentado pela mídia golpista (Globo) e pelos vereadores do MDB, PSDB, Novo e DEM que também tem seus interesses próprios. PSOL entrou junto com o pedido, depositando a ilusão em políticos corruptos que compõe a câmara, como se fossem defender os direitos dos trabalhadores e separar igreja e Estado, ao invés de organizar a a população carioca nas ruas, exigindo o direito ao aborto e ao Estado Laico. O processo foi rejeitado por 29 votos contra a 16 a favor.

Independentemente de qualquer crença é inaceitável que os interesses individuais de religiões e igrejas continuem interferindo nas decisões e investimentos do Estado. A tão famigerada bancada evangélica que, no RJ também é encabeçada por Crivella, é responsável por ações como a PEC 181, que pretende criminalizar o aborto inclusive em casos de estupro, levando milhares de mulheres a mortas. As atitudes do atual prefeito são antes de tudo para manter seus privilégios com o discurso falacioso de mensageiro de Deus, abençoa a crise no Rio e defende a sangrenta intervenção federal que já assassinou dezenas de jovens nas favelas do RJ.




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