Educação

Suspensão de aulas no RS, prevenção contra o COVID-19 e o lucro capitalista

terça-feira 17 de março| Edição do dia

O governador Eduardo Leite (PSDB) suspendeu as aulas por tempo indeterminado nas escolas estaduais do RS. Nos últimos dias as aulas foram suspensas também nas escolas e universidades federais e privadas. Ao mesmo tempo, nenhuma medida de grande porte está sendo tomada pelo Piratini até agora no sentido de impedir que o coronavírus se espalhe pelo estado, tendo em vista que os casos comprovados até agora não chegaram em 10 e nem se espalharam de maneira comunitária (se limita, pelo que se sabe, aos que tiveram contato com o vírus no exterior).

Mas apenas suspender as aulas seria suficiente para evitar a proliferação do COVID-19? Assim como a medida de interditar os bebedouros não ajudou em nada, pois no calor de 36°C, quando acabava a água que traziam de casa, as crianças estavam bebendo direto da torneira do banheiro, apenas suspender as aulas não daria conta de uma política de saúde capaz de evitar a proliferação da nova gripe. Pois enquanto isso, os ônibus de Porto Alegre e o metrô continuam lotados com a classe trabalhadora sendo obrigada a ir trabalhar, muitos não tendo com quem deixar seus filhos, ou deixando os filhos com os avós que são mais vulneráveis ao coronavírus…

Em meio a essa situação, é preciso pensar medidas efetivas de combate ao corona vírus no RS. O governo Leite é totalmente incapaz de combater efetivamente o corona vírus caso mantenha sua política de corte nos serviços públicos e favorecimento dos mais ricos. A tendência, se as coisas se mantiverem do jeito que está, é crescer o alastramento do vírus por Porto Alegre, Caxias do Sul e demais cidades já afetadas.

Diante de uma pandemia, que política pública combateria de fato a proliferação de um vírus como o COVID-19?

Trazemos aqui uma listinha de ações básicas que os governos deveriam estar levando a frente, mas se negam a fazer:

Ampliar os horários de ônibus e metrôs para diminuir a aglomeração; contratar massivamente equipes de saúde e limpeza nos transportes e em todas as repartições; melhorar a alimentação nas escolas para fortalecer a imunidade; garantir que todos os trabalhadores possam ficar com seus filhos em caso de aulas suspensas sem contratos precários e de forma remunerada; garantir atendimento de saúde contratando mais gente e recontratando os 1840 demitidos do Instituto da Saúde da Família de Porto Alegre fechado pelo Marchezan; estatizar os hospitais privados e todo o sistema de saúde sob controle dos trabalhadores colocando a disposição da população toda a estrutura de saúde de forma gratuita; reforçar a segurança alimentar da classe trabalhadora; criar abrigos para a população de rua; distribuir gratuitamente álcool gel; sabonetes e papel toalha.

É de uma hipocrisia sem tamanho proibir a aglomeração de algumas dezenas de pessoas, como Eduardo Leite sugeriu em Live nessa segunda-feira, e ao mesmo tempo manter a indústria, o comércio e os serviços caminhando normalmente. Dessa forma os trabalhadores, em especial os mais pobres, seguem pegando transporte público e indo trabalhar da mesma forma, se aglomerando, transitando, etc. Tudo isso sem uma estrutura de saúde pública adequada para atender a demanda. A questão é que Leite, Marchezan e seus aliados não querem atacar os grandes capitalistas, e suas ações fazem com que os trabalhadores e os mais pobres sejam os potencialmente mais afetados pelo vírus.

As medidas elencadas anteriormente são indispensáveis para elevar a imunidade das classes mais baixas e evitar a proliferação massiva do coronavírus que pode causar o colapso do sistema de saúde do jeito que está . Mas de onde tirar o dinheiro para tudo isso?

Em primeiro lugar, revogar a lei do teto de gastos, aprovada no governo Temer, onde limita o orçamento público destinado para a saúde e congela recursos em saúde e educação para os próximos 20 anos. É preciso mais investimento na área.

Segundo, é preciso saber que em um país como o Brasil existe um fluxo de dinheiro público na casa dos trilhões que vai para as mãos de banqueiros e empresários especuladores da dívida pública. Os mesmos que pregam o Estado mínimo recebem trilhões de reais todos os anos em um mecanismo fraudulento de endividamento público cujos juros superam em muito qualquer tipo de agiotagem.

Em meio a toda essa crise criada pelos capitalistas, o ministro da economia Paulo Guedes "orienta caixa econômica a ajudar bancos médios, toma medidas para rolar de dívidas das empresas valendo trilhões de reais e injetam liquidez nos bancos, tudo para salvar empresários enquanto a saúde continua sob ameaça do teto de gastos deixando a vida da população em risco”, como é possível ler nessa matéria aqui.

Ao mesmo tempo, vários países como a Itália ou o Estado Espanhol entram em um modo de guerra, aumentando o autoritarismo com toque de recolher para a população, mas mantendo a classe trabalhadora em aglomerações para chegar no trabalho e não pararem a produção. No Chile também Piñera proibiu as manifestações de rua que vinham voltando a ganhar força. O Brasil começa a fechar suas fronteiras e o congresso passa a ser pressionado não só pelos atos pró-Bolsonaro, mas agora também pelo coronavírus a suspender as atividades nos próximos dias. Enquanto isso a mídia burguesa nacional e internacional cumpre o papel de instaurar o pânico pautando minuto a minuto a não aglomeração de pessoas.

Para grandes problemas precisamos pensar em grandes soluções como o confisco dos bens dos grandes sonegadores, o fim das isenções fiscais bilionárias, impostos progressivos sobre os grandes capitalistas e o não pagamento definitivo da dívida pública que é uma fraude ilegítima e ilegal. Essas medidas gerariam receitas imediatas para o combate do vírus, mas para ir muito além.

Está na ordem do dia que pensemos em um modelo de sociedade capaz de dar respostas contundentes à educação e à saúde públicas, bem como às condições de trabalho e lazer da classe trabalhadora, porque no capitalismo o lucro importa mais que nossas vidas. Somente a unidade dos trabalhadores junto da juventude organizados politicamente e internacionalmente pode dar essa resposta e fazer nossas vidas valerem mais do que o lucro deles.




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