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Surto de gripe aviária altamente patogênica [H7N3] eclode nos Estados Unidos

Gilson Dantas

Brasília

segunda-feira 27 de abril| Edição do dia

No Valor Econômico de hoje [26/4] foi noticiado novo surto de vírus aviário [H7N3] de alta patogenicidade em granjas de perus confinados nos Estados Unidos.
Ainda não teria sido confirmada transmissão a humanos, mas autoridades estão em alerta.

Confirmam, no entanto, que, nas aves confinadas, um vírus de baixa patogenicidade sofreu mutação de converteu-se em vírus bem mais patogênico, de risco.

De longa data, já se sabe que essa agroindústria de aves amontoadas em confinamentos tóxicos, abriga aves com baixa imunidade e que, no real, pelo modo como funciona essa indústria, tornam-se criatório de vírus, também de evolução de vírus, focos de surtos de patógenos que podem ameaçar milhões de humanos.

O futuro da criação de aves não passa por esse modelo, que confina, estressa, tortura, envenena animais para obter mais lucro, ao mesmo tempo em que promove vírus cada vez mais perigosos para a humanidade, um modelo tipicamente capitalista.

Leia, nos próximos dias, no Esquerda Diário, o artigo a respeito, intitulado As doenças emergentes do capitalismo decadente, com informações mais de fundo sobre o problema.

Sobre a notícia de hoje, confira:

No Valor Econômico: “A ocorrência de gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI) H7N3 foi confirmada em uma instalação comercial de perus no Condado de Chesterfield, Carolina do Sul (EUA), informou hoje a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês).

Este é o primeiro caso confirmado da doença (HPAI) em aves comerciais nos Estados Unidos este ano.

De acordo com a OIE, as autoridades estaduais colocaram em quarentena as instalações afetadas e o despovoamento de aves foi concluído.
As instalações têm um vínculo epidemiológico com outras instalações da Carolina do Sul afetadas recentemente pelo vírus influenza aviária de baixa patogenicidade (LPAI) H7N3”.

Em outros sites:
“ Autoridades estaduais colocaram em quarentena as instalações afetadas e aves foram despovoadas para impedir a propagação da doença. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta quinta-feira, 9, a presença de gripe aviária H7N3 altamente patogênica (HPAI) em uma granja comercial de perus na Carolina do Sul.

A entidade acredita que houve mutação de um outro tipo de vírus de baixa patogenicidade encontrado recentemente em aves”.

“Apesar de vivermos uma pandemia do Covid-19, as doenças animais estão no mundo, como a PSA [peste suína africana] na Ásia e a influenza nos EUA, nosso maior concorrente”, diz o diretor-executivo da associação, Ricardo Santin. Para ele, o fato demonstra que há oportunidades de mercado se os produtores brasileiros não descuidarem da sanidade.

O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e diretor do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), José Antônio Ribas Júnior, também analisa que há possibilidade de novas oportunidades no mercado internacional, tanto conquistando clientes que atualmente são dos EUA como atendendo países da Europa que também sofrem com a gripe aviária.

“Se essa doença de alastrar, será um desastre para a avicultura americana, à exemplo do que ocorreu em 2015/2016”, pondera.

Ou seja, assim funciona o capitalismo: a gripe aviária nos Estados Unidos significa mais lucros para os barões de confinamento de aves por aqui.

Lá como cá, a falência de um sistema que se alimenta do lucro. Não é o primeiro e nem o último surto dessa natureza.

Como relata outro site: “O pior surto da história de gripe aviária nos EUA, registrado entre 2014 e 2015, matou cerca de 50 milhões de aves, sendo a maior parte delas galinhas utilizadas para produção de ovos em Iowa”.

E assim vai em frente a indústria de viveiros de pandemias, com lucro privado e, quando algo dá errado, socialização das perdas, isto é, promovem a externalização de custos - como eles gostam de chamar - para as costas da classe trabalhadora e suas famílias..

[Crédito de imagem: ciwf.org.uk]




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