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Supremo barraco: o que os xingamentos de Barroso e Gilmar mostram

O que os xingamentos ao vivo mostram da crise no STF e da crise política como um todo?

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

sexta-feira 27 de outubro| Edição do dia

Ao vivo, os ministros Barroso e Gilmar Mendes se insultaram em meio a sessão do Supremo Tribunal Federal. Competiam em mostrar quem era mais responsável em libertar "criminosos" (de fato e presumidos) e entre impropérios competiam também onde o regime político era mais podre no Mato Grosso de Gilmar ou no Rio de Janeiro de Barroso. Olhando para baixo do iceberg de novo pugilato verbal mostra-se a intensidade e persistência da crise que racha instituições em todo o país.

Cinco meses atrás o Esquerda Diário publicava um artigo intitulado "Supremo barraco: Gilmar Mendes xinga Marco Aurélio. A crise política está rachando o STF, nele se argumentava como o STF estava se rachando depois de ter se tornando um grande árbitro em meio à crise orgânica do Estado, uma crise que combina-se como política, econômica e social.

Cada instituição e fração política erguida a árbitro tem rachado na sucessão de conjunturas dessa crise, os exemplos mais emblemáticos são o Ministério Público Federal, rachado quase ao meio na eleição de sucessão de Janot, o tucanato e o STF. Em cada uma dessas três grandes "instituições" as alas "Lava Jato" e "casta política" digladiam-se intensamente.

Gilmar é o capitão da ala da impunidade dos oligarcas, senadores, e empresários amigos no STF, Barroso (ainda mais que Fachin) é a voz mais consequente da ala "Lava Jato" que procura uma mudança mais profunda no regime político para erguer um sistema ainda mais dócil aos interesses empresariais e imperialistas (e portanto mais repressora aos trabalhadores).

Os xingamentos de ontem retratam essa divisão e não uma competição de podres estaduais e de suas respectivas carreiras, mas de que rumos dar a uma Nova Republica em agonia, surrar a lei para salvar os amigos (Gilmar, Temer e Companhia) ou surrar a lei para colocar "novos políticos" a serviço de velhos interesses (Dallagnol, Moro, Barroso, Fachin e Companhia).

A perda de decoro e divisão no STF minam dia-a-dia a credibilidade de uma instituição que deveria pairar acima da materialidade e dos conflitos para se oferecer de árbitro supremo. Pouco a pouco mais e mais brasileiros a vêm como ela é: uma instituição política para qual ninguém foi chamado a votar que existe para garantia dos interesses capitalistas.

O enfraquecimento do STF em meio a crise de representatividade dos poderes eleitos, em nada resolvida por mais uma vitória de Temer, só renova como a elite empresarial, política e judicial do país pode estar tendo algumas vitórias hoje mas está pagando o presente hipotecando sua legitimidade.

Esse crescente questionamento ao "sistema" como um todo pode ser feito retoricamente pela direita ou com conteúdo e organização por uma esquerda anticapitalista, para isso será preciso superar a conciliação petista, tão funcional ao "sistema", como fica gráfico nas caravanas de Lula com oligarcas do calibre de Renan ou no persistente apelo aos empresários se somarem a seu plano como um bom negócio para seus lucros.




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