Mundo Operário

25/11: DIA NACIONAL DE LUTAS, GREVES, PARALISAÇÕES E PROTESTOS

Superar a divisão das Centrais e fazer do dia 25 um marco na luta contra os ataques de Temer

Estamos vivendo demissões, cortes de salários e direitos pelas mãos dos empresários, de Temer e até mesmo do judiciário. Não nos faltam motivos para organizar um grande plano de lutas. Para isso precisamos impor isso contra as vontades das burocracias sindicais que seguem sem organizar a luta contra esses ataques, começando pela unidade com os estudantes e setores que estão em greve. Em primeiro lugar é preciso superar a Força Sindical que é a principal força convocante desse dia. Essa central que diz estar contra os ataques tem sua principal liderança, Paulinho da Força apoiando o governo Temer e os mesmos ataques. Precisamos fazer do dia 25 uma poderosa demonstração de força que supere os limites do que CUT, CTB, Força e outras centrais estão planejando.

Felipe Guarnieri

Operador de trem da L1 azul do Metro de SP

quarta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Os ataques do Governo Temer comprovam que o golpe institucional no Brasil tinha como alvo não o PT, mas os trabalhadores e a juventude. A PEC 55, a reforma trabalhista e da previdência, são parte dos ajustes em curso que o governo golpista tenta viabilizar no Congresso ou com uma “mãozinha” do STF, que secretamente vem votando ataques aos direitos dos trabalhadores, entre eles o direito de greve.

Resultados eleitorais e desenvolvimento das forças para resistir a Temer

Os resultados eleitorais tiveram impacto variado nas distintas cidades e estados, marcando uma situação subjetiva da juventude e de setores de trabalhadores que cria um clima político bastante variado entre locais como São Paulo, de um lado, e Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, de outro. O que é comum entre elas é: o avanço da direita empresarial e "antipolítica" se aproveita do fracasso da experiência de "centro" do progressismo petista, que abriu o caminho ao golpe, paralisou a luta contra ele, e agora é parte ativa de alimentar a resignação e a desmoralização onde pode, a fim de preparar uma saída eleitoral com Lula, ou eventualmente Ciro Gomes ou outro, numa "Frente Ampla" que em nada se diferencia da estratégia falida de conciliação de classes do PT.

Nessa diversidade, seria enganoso constatar uma passividade conjuntural, ou falta de uma busca por alternativas políticas, apenas observando-se locais como São Paulo, por exemplo. Se por um lado, as eleições municipais foram marcadas pelo avanço da direita em diversas cidades, e acentuaram a crise do PT, por outro no último mês, ao contrário de vivermos sob uma “onda conservadora” como prega o petismo, desencadeou-se uma onda de mobilizações em capitais como Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre, com ocupações de escolas e universidades, atos de milhares nas ruas, protagonizados pela juventude e parcelas importantes do funcionalismo público.

Entretanto, essas lutas permanecem isoladas. A UNE e UBES, como forma de descomprimir a pressão que sofrem da base, convocam para o dia 29 de novembro uma marcha a Brasilia que pretende reunir milhares de pessoas. Para que a energia dos milhares e milhares de jovens, que ocupam suas escolas e universidades e querem ir a Brasília, não seja gasta em “vão”, precisamos fazer do dia 25 uma poderosa demonstração de força que supere os limites do que as centrais sindicais vêm planejando. As escolas e universidades ocupadas, assim como os setores do funcionalismo em greve, precisam fazer em suas cidades massivas manifestações para superar a estratégia da burocracia sindical de mostrar-se como "oposição social" aos ataques, mas sem construir efetivamente uma verdadeira “guerra” em defesa de nossos direitos.

É possível derrotar Temer sem superar a divisão e controle impostos pelas Centrais majoritárias?

Diante desse cenário de profundos ataques as centrais sindicais CUT/CTB/Força Sindical/UGT/Nova Central/CGTB/CSP Conlutas/Intersindical, convocaram 2 dias separados de "luta, greves, paralisações e protestos". Assim como foi o 11/11, chamado sobretudo pela CUT e CTB, agora no dia 25/11, impulsionado por Força Sindical e CSP-Conlutas, algumas ações devem ser feitas com “paralisações parciais de 1 hora em fábricas e empresas”, como promete o secretário da Força Sindical Juruna. Mas ainda que essas mobilizações ganhem um fôlego maior, com a possibilidade em SP de paralisação dos setores de transporte, como ônibus e Metrô, o problema de fundo, assim como se expressou no dia 11, é que mais uma vez essas ações passam totalmente por fora dos processos de lutas reais em curso, sem nenhum tipo de medida de solidariedade que possa aliar a juventude e os servidores com os principais setores do movimento operário que começam a sentir o peso dos ataques, que se acumulam agora ao peso das demissões e da crise que já vem de tempos. Mantendo assim, as lutas isoladas, e fortalecendo por um lado a estratégia petista de desgastar Temer para emplacar Lula (materializada na política da CUT e CTB), e por outro o objetivo da burocracia sindical “golpista”, como Paulinho da Força, que segue apoiando o governo e negociando os ataques pelos quais o dia 25/11 está sendo convocado.

Em meio a essa disputa, as centrais que reúnem setores de vanguarda de trabalhadores como a CSP Conlutas e a Intersindical, ao se diluírem sem nenhuma delimitação da burocracia sindical, acabam por não apresentar nenhum programa e plano alternativo para que as lutas saiam do isolamento e possam triunfar contra Temer. Acabam sendo parte desse desvio do descontentamento com os ataques, embelezando esses dias convocados como se fossem preparatórios a uma Greve Geral, e alimentando a ilusão em setores importantes de trabalhadores de que a burocracia esteja interessada realmente em torná-las efetivas para que o movimento operário se transforme em protagonista de novos fenômenos políticos do país. Sem nenhuma exigência e sem nenhuma denúncia da postura das centrais de imobilismo mesmo após o golpe institucional, não é possível cercar de toda solidariedade a luta dos trabalhadores da educação e da saúde no RJ contra os ataques de Pezão, em aliança com os estudantes que ocupam seus locais de estudo.

É impossível combater o governo golpista e seus ataques sem enfrentar também a influência reacionária da burocracia sindical, tanto da "situação" Força Sindical, quanto da "oposição" CUT e CTB.

Unificar as lutas e ter uma resposta política contra o governo golpista de Temer

Desde o Esquerda Diário, e da intervenção do MRT em vários locais de trabalho e na juventude, chamamos os trabalhadores e jovens a travar uma batalha junto conosco para levar a frente um plano de luta, que unifique as mobilizações em curso contra os ataques do Governo Temer. Se o dia 25 avançar pela base superando os objetivos colocados pela burocracia sindical, a aliança dos trabalhadores com a juventude em luta pode dar outra cara e importância às manifestações que estão chamadas para o dia 29, quando deve ser votada a PEC. Precisamos fazer das lutas de resistência contra os ataques uma verdadeira “guerra”. Sem isso não asseguraremos nossos direitos.

Em tempos que querem acabar com os poucos direitos que foram assegurados na constituição de 1988, que foi tutelada pelos militares e dirigida pelos capitalistas, podemos e devemos partir de organizar uma imensa luta defensiva para impedir a retirada de nosso direitos mas avançar para questionar esse podre e corrupto regime político. Lutamos para impor com a força da mobilização uma nova Constituinte livre e soberana, luta na qual os trabalhadores possam desenvolver seus organismos de poder e fazer com que os patrões paguem pela crise, partindo de questões básicas como impor a revogabilidade dos mandatos do políticos, pondo fim aos seus privilégios e que eles passem a ganhar o salário de uma professora, com a taxação das grandes fortunas, expropriação dos bens de todos os corruptos e corruptores, e para que os serviços como educação, saúde e transporte sejam estatizados e controlados pelos trabalhadores. Uma resposta política de fundo para que os trabalhadores junto com a juventude possam responder os principais problemas do país, através das suas próprias mãos e experiência.

Superemos os limites da burocracia sindical, paralisando os locais de trabalho pela base!
Unidade de todos os trabalhadores com a juventude em luta!
Que as centrais convoquem um plano de luta real contra os ataques dos governos estaduais e federal, para com esta força impor pela luta uma nova Constituinte livre e soberana, pondo abaixo o governo golpista de Temer.




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