CORONAVÍRUS

Subnotificação de Doria: Estudo aponta que contágio pela Covid em SP pode ser 12 vezes maior

Levantamento realizado pela USP e UNIFESP em colaboração com laboratório particular e Ibope nos bairros com maior incidência de Covid-19 na cidade de São Paulo mostra que o número real de infectado pode ser até 12 vezes maior que os números oficiais demonstrando a enorme subnotificação pela falta de testes massivos, orientação básica que não está sendo seguida por Doria e Covas.

sábado 16 de maio| Edição do dia

A pesquisa inédita comandada por cientistas da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de São Paulo, em colaboração com o laboratório Fleury e o Ibope, foi realizada em seis bairros com maior incidência de Covid-19 na cidade de São Paulo. Através de testes sorológicos em 520 pessoas com mais de 18 anos verificou-se que 27 apresentaram anticorpos para o novo coronavírus, número que representando 5,19% dos moradores dessa localidade. Com base na proporção de resultados positivos, a pesquisa concluiu que dos mais de 350 mil moradores destes seis distritos, 18.299, já tinham sido infectados. Esse resultado aponta um número 12 vezes maior que o oficial.

O estudo pretende fazer um próximo levantamento, marcado para começar no dia 10 de junho, para incluir toda a cidade de São Paulo que é o epicentro da pandemia no Brasil. A partir dos números coletados na próxima da pesquisa será possível calcular a velocidade com que a doença está se espalhando na cidade. “Os dados divulgados hoje são o ponto zero. Na próxima etapa vamos saber qual a velocidade”, disse a CEO do Ibope Inteligência, Marcia Nunes Cavallari.

Na quarta, o governo do Rio Grande do Sul divulgou os resultados de estudo segundo o qual apenas 0,2% dos gaúchos já foram contaminados com o novo coronavírus. O levantamento, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas, também estimou alta subnotificação: haveria nove casos para cada um dos notificados até o momento pelo sistema de saúde.

Bolsonaro e os militares discutem abertamente abandonar as estratégias de isolamento social para garantir o lucro dos empresários mesmo que isso signifique a morte de milhares de brasileiros. Os governadores como Doria, Leite, Witzel e Zema, assim como Covas na prefeitura de São Paulo, demagogicamente dizem se enfrentar com o governo federal mas também estão alinhados em garantir o lucro dos capitalistas, deixam as indústrias, o agronegócio, o minério, o petróleo, o telemarketing e várias outras atividades continuem funcionando normalmente e expondo milhões de trabalhadores a riscos, não garantem os testes massivos que seriam fundamentais para planejar uma quarentena racional.

A saída de Teich deixa patente também toda uma reconfiguração em curso no governo Bolsonaro, com especulações se o cargo será entregue ao centrão ou aos militares que ganham mais e mais poder no Planalto, mas por um caminho ou outro está claro que está em jogo tomar mais medidas que coloquem ainda mais o lucro acima das vidas.

Veja também: Frente a renúncia de Teich redobrar a luta por uma resposta dos trabalhadores frente a crise

A responsabilidade dos militares nas crises política e sanitária que vivemos coloca de forma ainda mais patente como não podemos conduzir nosso ódio de Bolsonaro para colocar em seu lugar um igualmente defensor da ditadura e do fim das quarentenas como Mourão. É preciso levantar uma posição de Fora Bolsonaro, Mourão e militares, mas também sem confiar que sejam Maia, Toffoli, Doria ou Witzel qualquer alternativa para salvar vidas, emprego e renda, tal como chamamos setores da esquerda para juntos construir juntos um polo com essa resposta, construindo-a nos locais de trabalho e nas redes sociais. Nossa batalha tem que ser para a construção de uma resposta onde o povo possa decidir os rumos do país para enfrentar a crise sanitária e a crise econômica. Por isso defendemos a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, sem a tutela e veto de nenhum dos 3 poderes, com delegados eleitos pelo sufrágio universal, e onde trabalhadores e trabalhadoras brasileiras possam lutar pelas demandas que realmente atendem às necessidades da população, sem aceitarmos as mesmas regras desse jogo que tem como objetivo de todos os governantes, nos fazer pagar com nossas vidas por esta crise.




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