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SOMÁLIA

Suas guerras, nossos mortos: mais de 300 mortos em atentado na Somália

Considerado o maior atentado desde o World Trade Center em 2001, a Somália agora contabiliza 300 mortos em Mogadíscio, capital. Em guerra civil há mais de 20 anos, governo aponta Al-Shabbab como autor.

terça-feira 17 de outubro| Edição do dia

Foto: Mohamed ABDIWAHAB/AFP

No último sábado, por volta das 15h, a capital somali foi alvo de um ataque de gigantescas proporções, o mais violento em sua história, contabilizando agora 300 mortos, sendo 15 crianças, e 400 feridos, muitos deles com gravidade. Segundo informações, ao menos 70 pessoas ainda estão desaparecidas.

O atentado ocorreu em dois pontos: o Hotel Safari, no centro de Mogadíscio, onde foi colocado um caminhão com explosivos em uma esquina próxima a combustível, e o mercado de Mogadíscio, onde ocorreu nova explosão. O atentado atingiu prédios, veículos, hotéis e embaixadas, formando uma camada espessa de fumaça preta pela cidade e teve como vítimas em grande maioria civis.

Com superlotação, falta de bolsas de sangue e medicamentos nos hospitais do país, Turquia e Quênia prestam ajuda médica à população somali.

O governo, em conflito aberto desde os anos 90 e alinhado aos Estados Unidos na geopolítica internacional, acusa o grupo extremista Al-Shabbab, que ainda não reivindicou sua autoria na Somália.

O grupo, suspeito de ter ligações com a Al Qaeda, fortaleceu-se a partir das intervenções imperialistas na Eritreia e na Somália, chegou a controlar cidades do Sul e do centro do país e mantém hoje o domínio de algumas áreas rurais, onde impõe a versão wahhabista do Islã, a mesma do Estado Islâmico, marcada, por exemplo, pela prática de apedrejamento das mulheres até a morte. Al-Shabbab também foi responsável por atentados no Quênia e na Etiópia na última década.

Em comunicado, os Estados Unidos, que de 2006 a 2009 financiaram armas e tropas para o Estado somali a partir da Etiópia - esta tendo de se retirar em 2009 devido a baixas importantes em suas tropas -, declararam que “ataques covardes como este revigoram o compromisso dos EUA em ajudar nossos parceiros africanos no combate ao terrorismo”. A ONU também se pronunciou em defesa de uma “união contra o terrorismo”.

Suas guerras, nossos mortos

Nós do Esquerda Diário expressamos nossa total solidariedade às vítimas do atentado na Somália, contra o horror causado por organizações reacionárias que massacram a população civil em vários lugares do mundo. Também nos posicionamos contra os países imperialistas que há séculos financiam guerras e barbárie no continente africano e hoje se valem do hipócrita discurso de “combate ao terrorismo”, fortalecendo a xenofobia, o racismo e a islamofobia, para espoliar suas riquezas e lucrar às custas dessa população.




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