Stone demite 1.300 trabalhadores em meio à pandemia, mesmo depois de lucrar 804,2 milhões em 2019

A Stone, empresa de pagamentos digitais, anunciou a demissão de 20% de seus funcionários que terão sua renda arrancada por capitalistas mais interessados nós lucros do que na vida dos trabalhadores demitidos em meio a uma epidemia. O anúncio ocorreu por meio de carta publicada na manhã de hoje (12) no perfil da empresa no LinkedIn. Vale destacar que no ano passado a empresa teve um lucro líquido de R$ 894,2 milhões. Um crescimento de 163% em relação ao ano anterior.

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

O CEO da Stone, Tiago Piau, afirmou que diante da queda no volume de vendas não seria possível seguir com o mesmo quadro de funcionários e que iria manter aqueles mais competentes para tal: "Meritocracia, busca pela excelência e carinho pelas pessoas. Vamos preservar aqueles com melhor desempenho em cada área, consolidar estruturas e melhorar processos". Ou seja, em meio a uma situação totalmente excepcional, em que os trabalhadores estão pagando com as próprias vidas pelos desdobramentos da pandemia, além de informar seus funcionários da demissão por meio de uma carta digital nas redes sociais, a empresa busca responsabilizá-los pela própria demissão, utilizando a falaciosa ideia de meritocracia como justificativa.

Na carta Tiago Piau chegou a afirmar também que se tratou de uma ação necessária para manter o objetivo deles. Sem dúvidas! O que faltou ao CEO explicitar em sua carta é que o objetivo da Stone é, necessariamente, o lucro, não a vida de seus funcionários. Não à toa os demitiu e de forma demagogica afirmou que manteria aos funcionários demitidos alguns benefícios concedidos pela empresa a fim de permitir a eles uma recolocação profissional. Seria cômico se não fosse trágica essa afirmação. Analistas financeiros da própria burguesia tem colocado sobre a magnitude da crise e impactos no mundo do trabalho. A Organização Internacional do Trabalho fala em mais de 1 bilhão de trabalhadores que irão sofrer com os efeitos drásticos da crise. Oferecer a manutenção de benefícios como forma de “ajudar” os trabalhadores da empresa na conquista de um novo emprego é uma de uma demagogia sem tamanho da Stone. Se estivesse preocupada com a vida de seus funcionários os manteria empregados.

Em 2019, a Stone teve um crescimento de aproximadamente 163% em relação ao ano anterior quanto a receita do lucro líquido. Foram R$ 804,2 milhões. A empresa aumentou 226 mil novos clientes nesse mesmo ano. Um crescimento de mais de 50% do total da cartela de clientes. Sendo assim, a demissão dos mais de 1.300 trabalhadores, escancara mais uma vez como o lucro é prioritário para os empresários, mesmo que para isso tenham que sacrificar a vida dos trabalhadores.

Vale destacar que ações como essa da Stone encontram respaldo nas políticas levada a ferro e fogo pelo governo, tais como, a escandalosa MP 936 que dá aval aos empresários para a redução dos salários e as jornadas de trabalhador de seus funcionários ou mesmo a própria suspensão do contrato. Em base a um discurso falacioso de preservação do emprego governos e empresários atacam a classe trabalhadora e aprofundam seu projeto econômico.

Por isso, frente a esse cenário é fundamental que a defesa dos empregos dos trabalhadores, bem como que sejam exigidas medidas urgentes de combate a crise, como a reconversão industrial e a reestruturação do sistema de saúde sob o controle dos trabalhadores dessa área.




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