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“Sou artista, não sou capitalista” dispara Daniela Mercury ao dispensar cachê para Parada LGBT

sexta-feira 3 de novembro| Edição do dia

A poucos dias da 22º Parada LGBT do Rio de Janeiro, Daniela Mercury confirmou participação no evento. Mas como se a confirmação da cantora por si só já não fosse suficiente para atrair a atenção do público LGBT, Daniela também chama atenção quando dispensa o cachê para o evento e diz “Sou artista, não sou capitalista”.

Daniela ainda complementa dizendo “Todas as paradas gays do mundo existem para curar a homofobia da sociedade. É uma forma simpática de ocupação, com desfile e música, onde a arte tem seu protagonismo. Nesse momento precisamos tirar a transexualidade da lista de doenças da OMS e precisamos alterar artigos da constituição para assegurar o casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

Desde 2013, ano em que assumiu sua bissexualidade, Daniela vem dando declarações em defesa da população LGBT que chamam atenção cada vez mais da grande mídia e da sociedade brasileira em geral. Essa última declaração demonstra que para ela trata-se de uma contradição lucrar em cima do seu ativismo artístico contra a LGBTfobia.

Em tempos que o capitalismo, sobretudo por meio da indústria fonográfica, vem se apropriando das lutas dos oprimidos para transformar tudo em mercadoria e lucrar ainda mais com nossa opressão, posicionamentos como esse vindo de artistas com grande projeção como Daniela, são extremamente importantes.

Se o Brasil hoje lidera o ranking de países que mais matam LGBT no mundo (pelo menos 1 a cada 25 horas, segundo dados do Grupo Gay Bahia) (aqui), grande parte disso se deve ao capitalismo, pois além de ser um sistema incapaz de garantir aos setores oprimidos liberdades mínimas, como andar na rua sem ser atacado, também é responsável pela super exploração desses setores. Hoje as LGBTs se encontram nos postos mais precarizados de trabalho e recebendo os piores salários.

Enquanto as grandes empresas colocam LGBTs na TV para propagandear suas marcas, fingindo tolerância com os setores oprimidos, é nos porões do telemarketing e no escuro das ruas, longe dos olhos da sociedade, onde se encontra a grande massa de LGBTs marginalizadas pelo sistema capitalista. As grandes marcas que pagam cachês volumosos a artistas LGBTs como Liniker e Pabllo Vitar, são as mesmas que financiam campanhas eleitorais de políticos conservadores que insistem em nos chamar de doentes. O “Pink Money” lucra com nossa luta legítima por visibilidade enquanto fortalece o capitalismo e seus agentes, e por isso não pode ser visto como saída para a opressão.

Como dito muitas vezes nos atos contra a cura gay de São Paulo, doente é o capitalismo! Doente é esse sistema que explora, persegue, tortura, mata e dizima toda uma população simplesmente por não concordar com sua sexualidade e identidade de gênero.

Que cada vez mais artistas de grande projeção como Daniela Mercury percebam o que faz o Pink Money e escancarem a contradição entre usar a arte para denunciar a opressão e lucrar com isso! Que os setores oprimidos, trabalhadores e artistas se aliem cada vez mais na luta contra o capitalismo!




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