Sociedade

Soninha sugere "campings" como solução para pessoas em situação de rua

quinta-feira 12 de janeiro de 2017| Edição do dia

A futura secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine (PPS), passou a última semana a divagar sobre as alternativas possíveis para se gestar a grande e cada vez mais agravada problemática que é a da população em situação de rua na cidade de São Paulo.

De acordo com entrevista divulgada no portal Valor, nesta segunda-feira (9), a mesma sugeriu a criação de campings para alocar essa população, se embasando a exemplo dos veranistas, que passam as férias em campings da Ilha Grande, localizado no município de Angra dos Reis (RJ).

“A maioria quer privacidade. Não é à toa que tem a barraca. As pessoas passam férias num camping em Ilha Grande. Acho isso tão viável em São Paulo”, complementou a secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de João Dória (PSDB).

A sugestão beira o absurdo, uma vez que são realidade que não correspondem de nada com o crescente numero de famílias que, paulatinamente se vem sem emprego, e consequentemente, sem condições para arcar com o elevado valor do aluguel, não só no município, como no país.

Medidas como estas, apontam as tendências das politicas publicas que serão gestadas a partir de agora, uma vez que, logo ao primeiro dia em que pudemos ver Dória vestido de gari, a varrer um chão já varrido pelos trabalhadores, o que não foi divulgado, é que nesse mesmo dia em que foi lançado o programa Cidade Limpa, uma dezena de pessoas que dormiam no local foram praticamente varridas da praça 14 Bis, para de baixo do Viaduto 9 de Julho, que depois também foi telado de modo que pedestres e motoristas não possam ver as expressões dessa politica cada vez mais higienista.

Após esse episodio, os munícipes, que não são tratados desse modo por estarem em situação de rua, denunciaram “rapa” realizada por agentes da prefeitura, que teriam tomado pertences destes usuários, ainda que se tenha decreto do ano de 2016, do ex-prefeito Fernando Haddad, em que proíbe tal pratica.

De acordo com Soninha, a ordem não saiu do prefeito, e até o momento ninguém soube quem autorizou.

Para além do “camping de férias”, outras medidas foram apresentas por Soninha para solucionar a situação, porém, elas se limitaram a mudança nos horários dos albergues, assim como a introdução de cursos profissionalizantes para essa população.

Políticas de moradia, de pleno emprego e acesso a serviços básicos que deveriam ser ofertados, passam longe de qualquer uma das sugestões propostas, bem como, de nada se fala da defasagem dos mais de 800 Assistentes Sociais que carece na rede municipal, conforme apresentado no Plano Municipal de Assistência Social – PLAS 2014/2017, e ainda que com o edital aberto em 2014, a prefeitura disponibilizou apenas 300 vagas para a Assistência Social, e em um ano após homologação do mesmo, foram convocados apenas 100 pessoas, sendo que no mesmo período houve a demissão de 80 contratações emergenciais, sendo assim, a defasagem de 825 assistentes sociais (em números de 2014) foi suprida em apenas 20 vagas (3% do total).

Em 2014, o levantamento da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social – SMADS já destacava a importância da estruturação e capacitação das equipes que compõem os serviços da rede socioassistencial, ainda assim, essa parece ser uma medida que esta fora dos planos até então elencados pela nova gestão da secretaria.




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