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Solidariedade na pandemia: eletricista se negou à cortar luz e empresa o demitiu por isso

terça-feira 24 de março| Edição do dia

No Ceará, um eletricista recebeu um advertência e depois uma demissão por colocar em prática a solidariedade de classe e se negar a cortar a luz durante a pandemia do coronavírus.

Ramiro Roseno Sombra foi demitido pela Enel, a distribuidora de energia no Ceará, nesta segunda-feira. O eletricista afirmou que não era justo cortar a luz de pessoas durante a situação de isolamento social, na emergência em que o o país se encontra por causa do Coronavírus, que no Ceará conta com 185 infectados nesta terça-feira.

"Recebi 52 cortes, eu e mais 19 motoqueiros, quatro foram demitidos, eu e mais três, e 16 foram suspensos por um dia porque todos eles reivindicaram que não iriam cortar cliente específico porque nesse momento, nesse período, não é cabível cliente ser cortado" disse Ramiro.

A Enel afirmou em nota que a demissão do eletricista foi de responsabilidade de empresas terceirizadas que prestam serviço à ela, e que o contrato em questão seria contrato à pedido do próprio proprietário, sem, no entanto, mostrar nenhuma prova disto.

Enquanto capitalistas brasileiros procuram lucrar e manter a economia "funcionando" às custas de milhares de vidas, os trabalhadores compreendem a necessidade de se solidarizar uns com os outros, por verem que ocupam o mesmo espaço na sociedade e que tem interesses em comum.

Somente com exemplos como este é que é possível superar esta crise, e, além disso, é preciso colocar toda a riqueza produzida pelos trabalhadores que foi apropriada pelos capitalistas, de volta nas mãos dos trabalhadores para enfrentar esta crise. As grandes fortunas podem ser revertidas em testes massivos para todos, as empresas de saúde devem ser estatizadas para colocar seus leitos à serviço do SUS, os trabalhadores da saúde devem ser valorizados e é preciso uma lei contra as demissões, quarentena remunerada já!

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