Internacional

Solidariedade à deputada da esquerda argentina ameaçada por defender os trabalhadores

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

quinta-feira 8 de setembro| Edição do dia

Nesta quarta-feira, a deputada nacional argentina Myriam Bregman, recebeu uma ameaça telefônica. Diziam: "esquerdinha, vamos fazer merda com você" ("zurdita, te vamos a hacer mierda").

Esta ameaça particular ocorreu após a intervenção de Myriam numa comissão que discutia a lei do primeiro emprego do governo Macri, uma lei de precarização do trabalho que é mais um ataque contra a juventude e os trabalhadores de um governo direitista. Ela também denunciou como a esquerda foi impedida de inscrever sua chapa nas eleições para o sindicato de petroleiros.

Myriam é uma grande referência da esquerda nacional. Batalha há anos contra a impunidade dos genocidas da última ditadura militar argentina, e é parte do CeProDH (Centro de Profissionais dos Direitos Humanos) militando pelas causas dos trabalhadores, em defesa de suas lutas contra a patronal, o governo e a burocracia sindical.

Como deputada federal, combateu incessantemente contra a precarização e a rotatividade do trabalho, e junto a Nicolás Del Caño estiveram nas ruas nas principais greves operárias para que triunfassem. Recentemente, fez duas interpelações ao Congresso Nacional, pedindo que este se posicionasse contra o golpe institucional no Brasil e rechaçasse o apoio do presidente Mauricio Macri ao golpista Michel Temer, causando grande repercussão nacional e internacional.

Conheço Myriam há muitos anos, ela é dirigente do Partido dos Trabalhadores Socialistas, organização argentina ligada ao MRT, do qual faço parte. Ela atuou como advogada pela punição dos criminosos da ditadura argentina e, agora, como deputada, fortalece as lutas dos trabalhadores, LGBTs, mulheres, tal como me proponho a fazer no Brasil. A ameaça que sofreu e que denunciou imediatamente é mais uma demonstração de como as candidaturas independentes que lutam ao lado dos trabalhadores incomodam os poderosos, os patrões, os burocratas que estão nos sindicatos, verdadeiro mafiosos cuja única base material de existência é isolar, enfraquecer e derrotar a classe trabalhadora, dificultando sua organização e negociando a deterioração de sua condição de trabalho.

Mas eles não irão nos calar. Toda solidariedade à Myriam Bregman! Que os responsáveis pelas ameaças sejam punidos!




Tópicos relacionados

Eleições 2016   /    Movimento Operário   /    Internacional

Comentários

Comentar