Sociedade

OPINIÃO

Sobre crimes e criminosos

O garotinho Arthur, de apenas cinco anos, morreu vitima de violência motivada por mera estupidez, agravada por violência institucional, motivada por ganancia, e naturalizada!

quarta-feira 3 de janeiro| Edição do dia

Primeiro, um estupido qualquer resolve aderir a estupides geral, mas ao invés dos fogos utilizados pela maioria da legião de estúpidos, esse em particular, decidiu provocar estrondo com tiros de revolver, disparados para o auto e um dos projeteis atingiu o pequeno Arthur, ferindo-o gravemente.

Arthur era valente! Resistiu ao ferimento por mais de cinco horas! Isso é um forte indicio de que ele poderia ter sobrevivido, caso tivesse sido socorrido com a devida e necessária rapidez. Mas não, apesar de todos os esforços de sua família, Arthur não foi socorrido a tempo. Só apos cinco horas ele foi internado no hospital Pirajussara, mas ai já era tarde. Antes disso a família do menino buscou socorro em hospitais públicos que o recusaram alegando não terem U.T. I., ou vagas na U.T.I., também em hospital privado que não o atendeu porque o setor financeiro estava fechado.

Esse segundo ato do crime contra a vida de Arthur só aconteceu, em primeiro lugar, devido ao fato de que hospitais e outros equipamentos particulares de saúde não existem para salvar vidas, existem apenas para seus donos ganharem dinheiro vendendo assistência a saúde como se fosse uma mercadoria qualquer, e em segundo lugar, ao ininterrupto processo de sucateamento dos equipamentos públicos de saúde que visam seu total desmonte e que tem sido planejado criteriosamente e levado a cabo com muita eficiência pelos sucessivos governos federal (desculpem os petistas que ficam indignados com quaisquer criticas as suas gestões), estadual ( no caso de São Paulo mais de vinte anos sob a égide do PSDB) e municipal (no caso da cidade de São Paulo, desculpem os petistas, outra vez). Esse sucateamento dos equipamentos, e o consequente desmonte do SUS e de toda rede publica de saúde é uma das faces da violência institucional, que matou o pequeno Arthur, privando-o do socorro do qual ele dependia para continuar vivendo.

Essa violência, institucionalizada, praticada de forma planejada e consciente pelos políticos dos partidos da ordem burguesa, que se revesam nas três esferas de governo, desde a década de 90 e que causa a morte de milhares de pessoas no nosso país, todos meses de todos os anos, já está naturalizada, pois, quando não passa despercebida, é aceita, tolerada por todo mundo, de forma que nenhum dos responsáveis é acusado, preso, ou punido de nenhuma forma.

A outra face dessa violência institucionalizada, naturalizada e impune, diz respeito aos objetivos por traz do sucateamento dos equipamentos públicos de saúde e do desmonte gradual do SUS. Trata-se de atender aos interesses dos proprietários das grupos de medicina privada, bem como dos hospitais, ambulatórios, laboratórios e consultórios particulares e também, mais recentemente, das Organizações Sociais de Saúde (OSS), que desejam e necessitam eliminar ou reduzir ao minimo a presença do SUS e a garantia de assistência gratuita à saúde, para todos, e em todos os níveis, de forma a que a população não tenha outra saída que não seja pagar mensalidades extorsivas aos convênios privados ou pagar ocasionalmente o atendimento e assistências no hospitais e/ ou demais equipamentos de saúde da rede privada, que assim aumentam exponencialmente seus lucros, anos após anos.

O menino Arthur não foi vitima de nenhuma fatalidade, ele foi assassinado! Mas não apenas pelo estupido que disparou o projetil que lhe causou o ferimento, que veio a se tornar fatal pela falta de atendimento. Arthur foi assassinado, também pelos presidentes governadores e prefeitos, bem como parlamentares responsáveis pela falta de hospitais e prontos socorros públicos, bem como pela falta de vagas nas UTIS dos hospitais públicos. Arthur foi assassinado pelos donos e/ou diretores do hospital privado que não internou Arthur sob a alegação de que o setor financeiro estava fechado.

No entanto, a policia, que já conseguiu prender um suspeito de haver efetuado o disparo de revolver, até o momento, sequer pensou em prender ou punir de alguma forma os demais criminosos responsáveis pela morte do menino e de outras milhares de pessoas que seguirão livres, matando pessoas, porque assim ganham mais dinheiro, quer seja para aumentar suas fortunas; quer seja para financiar suas campanhas eleitorais.




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